Ao fim de décadas de um marasmo mais do que mediocre - que a "esquerda" não contesta porque sabe que a coisa começou canhota, e a "direta" aguenta porque reconhece a falta de destreza dos fulanos que, "faute de mieux", colocou em sucessivos governos e que continua a trazer ao colo devido aos "links"e interesses criados tão desajeitada e estupidamente que os escândalos explodem como minas - PORTUGAL é um país sem brio e ser português envergonha qualquer um que se aperceba minimamente das manobras com que se encobrem fragilidades e se alimentam jogadas eleitorais, num momento a que a maioria dos países já começam a pensar-se como países e não como tabuleiros de xadrez político.
Hoje, em desespêro de causa, tivemos uma coisa apelidada "The Lisbon Summit" - que foi em Cascais... - o que, traduzido para português significaria que em Cascais estava a ter lugar uma "cimeira", ou seja uma reunião de personalidades de topo para debatarem fosse lá o que fosse. Para isso foi convidado alguém do incontornável "Ecconomist" - revista ainda mais incontornável que os "incontornáveis" Santana e Vitorino que a SIC nos impinge -, e , além dos nossos do costume, uns tantos palradores de Língua inglesa para justificar que aquilo era mesmo um "summit" e não uma cimeira. Porém, fosse qual fosse o nome de baptismo, que se desse por isso - e corri os noticiários de vários países da Europa e fora dela - ninguém deu conta do evento. Contudo, graça lhes seja feita, vieram acudir, tentando pôr gelo na fervura que a oposição prepara à custa da ousadia grega. Talvez não tenha valido a pena, a não ser para as televisões domésticas que com isso preencheram os seus programas e, quem sabe, talvez tenham pago a conta...
O facto é que o Governo desdobra-se em asneiras, não tanto no que faz -porque provavelmente não consegue fazer melhor - mas nos comentários e em auto-defesas e agressividades eleitoralistas, não apenas contra a oposição como também contra o seu parceiro de coligação. Dá ideia que o supremo designio do Governo é garantir a vitória do PSD e o resto que ...se trame.
Que a Direita assuma o governo é o desejo compreensível de muitos portugueses que se revêm na tradição secular de um País que para se modernizar não se veja forçado a prostituir a sua identidade.
Mas não mais uma direita "à Cavaco" , uma "direita" de proveta - que nem direita é...- onde formiga uma mentalidade de lobby político/mediático que ameaça só terminar quando os sujeitos que por lá se fizeram desaparecerem, pela idade, do mundo dos vivos, ou porque o povo eleitor se fartou de tanto palavreado aliado a uma incontornável incompetência.
É certo que Socrates e Teixeira dos Santos deixaram o País no "prego" e que estes pobres coitados que ganharam as eleições não tinham competência para acudir a tal catástrofe, muito embora se tenham desperdiçado neste governo nomes que, ao serviço de uma política acertada - que não tivesse à frente como PM um produto das "jotinhas" que discursa e esbraceja como um ditador e governa como um pedinte- teriam decerto feito aquilo que sem êxito têm vindo a tentar.
É o caso dós ministros da Saúde e da Educação, e seria o caso do da Economia se o CDS não fosse permanente e subrepticiamente estigmatizado pela maioria PSD.
A verdade é que não temos um partido de Direita nem temos à Esquerda alguém com o nível do ministro grego que, por maior que possa ser a derrota, se atreveu a enfrentar a "europa" do dinheiro. Louçã poderia tê-lo feito e dificilmente se percebe porque se distanciou da política. A menos que punhamos os olhos no que sobrou do BE...
Passos Coelho - cujo ritmo discursivo, misturado com o vazio argumentativo e com o espanejar de mãos se tornou insuportável - não irá deixar vitórias ou derrotas e nem sequer saudades.
A menos que a "europa" lhe pegue para um daqueles lugares de "testa de ferro" em que os países evitam comprometer nomes seus, Step Rabit está politicamente arrumado
Devo confessar que o facto de os supermercados passarem a cobrar os sacos de plástico foi algo que me deixou confusa! Custa perceber como só causam dano ao ambiente - visto que tudo o que embalamos nos super, das frutas aos legumes passando pela carne e o peixe, vem em sacos de plástico os sacos de plástico fino com asas!
Ontem, num café de referência do meu bairro, ouvi contar uma história por um grupo de jovens, entre gargalhadas.
Segundo eles, um relações públicas de uma multinacional de sucesso, sentindo instável a sua posição e baseando-se em informações recolhidas numa operadora de caixa, resolveu levar a peito o assunto. Com isso, e usando das múltiplas relações adquiridas no lugar que ocupava, teria adiantado uma sugestão que agradou simultaneamente aos donos dos estabelecimentos - passaram a vender o que ofereciam... - , ao Governo - que cobra mais um imposto sem meter as mãos na massa - , ao PSD - partido da sua esperança e aos inocentes Ecologistas.
Grato à operadora de caixa, tê-la-ia, segundo eles, nomeado sua contabilista, sua empregada doméstica, sua motorista , sua namorada - não foi bem este o termo por eles utilizado... - e o que mais revelassem os seus dotes. Em troca, além da promoção social, pagava-lhe com umas habilidades que aprendera nos lugares próprios e a promoção social possível, dadas as circunstâncias. Tudo gratuito!
A ser verdade, que Deus ajude a pequena! É muita função por tão exigua paga!
Temos um novo e simpático Cardeal a quem, por ele e por nós católicos, desejamos as maiores felicidades!
Na oportunidade, atrevo-me a deambular um pouco pela condição que é a de muitos de nós.
Dizia Ghandi que tudo o identificava com a doutrina de Cristo e que só não era cristão devido ao que conhecia dos cristãos. Creio que muitos cristãos, sem deixarem de o ser, partilham da convicção de que, através dos séculos, o comportamento dos cristãos não foi, mais vezes do que o desejável, algo que os distinguissde de forma positiva de outras convicções religiosas.
Apoiado num moralismo herdado da tradição hebraica - no seio da qual Jesus tinha nascido mas contra a qual se rebelara - o seguir Cristo transformou-se numa doutrina com tanto de rigidez nos princípios como de ilimitada tolerância nos fins e nas práticas que a eles conduzem.
Quer a revolução francesa, quer a revolução industrial tal como a implementou a sociedade inglesa - ambas emergentes de sociedades cristãs de enorme relevância na Civilização Ocidental que, quer se goste ou não, é de matriz cristã - denotam, já em épocas de avançado conhecimento social e científico, uma extrema falta de sensibilidade que não bebia do tão propalado moralismo mas dele se servia para a encobrir.
Os valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade - proclamados tardiamente pela revolução francesa, visto terem sido defendidos havia mais de mil e setecentos anos por Jesus Cristo, que em si concentrou todo o custo dessa pretensão - fizeram vir ao de cima, sob o ténue véu de uma justiça social que até hoje, independentemente dos regimes, não temos visto ser possível implementar, os mais negativos sentimentos que ferem a nossa humanidade.
A resplandecente época vitoriana, que partindo de uma invenção que, ao que parece, os chineses já conheciam havia três mil anos sem que lhe dessem aplicação para não menosprezar o valor do operar humano em favor da operacionalidade da técnica, travestiu de públicas virtudes os vicios privados que permitiram a criação de um império sobre o qual o Sol nunca se punha, e deu asas a uma economia desumana que, com o tempo, viria a alienar-se do mundo e a perder-se na sua própria grandeza.
Lembro-me de um francês, que tive como professor na faculdade, dizer que os dois momentos cruciais da história da Civilização Ocidental teriam sido a queda de Constantinopla e a revolução Russa. Não tenho condições, por falta de conhecimentos de suporte, para confirmar ou contestar essa afirmação. Contudo, toda a minha intuição vai no sentido de a aceitar como verdadeira. Terão sido, penso, duas graves mutilações no seio de uma civilização construida numa solidez de princípios que se confrontaram e que, curiosamente, o fizeram na convicção da defesa intransigente desses mesmos princípios.
Qualquer destes momentos históricos deu lugar a especulações - e digo-o no bom sentido...- que acabariam por confundir, numa versão empobrecida pelas realidades que geraram, o poder dos homens com omnipotência de Deus, atribuamos-lhe nós o nome que quisermos, já que Deus "É o que É" e, religiosos ou laicos, acreditando nos astros ou nos karmas, chamando-lhe destino ou fado, a verdade é que haverá algo de materialmente inatingivel que nos faz nascer "assim", viver "assim", morrer "assim", ainda quando consideremos que tudo termine quando o nosso pó alimentar a terra e um espírito hegeliano algo recolha da nossa duração.
A Igreja Católica - dois mil anos de história plena de cambiantes sobre os quais só inconscientemente nos atrevemos opinar - vive um momento complicado, que se compagina com o tempo complicado que é o do mundo em que se insere e em que nada é fácil porque a Razão se desdobra em razões que tornam argumentativamente contestável em nome de um volátil presente tudo o que é passado, e têm como rumo para um futuro desejado bases meramente experimentais que dificilmente alguma geração irá ver concretizadas e, consequentemente, elaborar uma opinião sobre este "fazer de vida".
O Vaticano conheceu nas últimas sete décadas - apesar do longo pontificado de João Paulo II - uma notável variedade de tendências, reflexo talvez das diferentes "escolas monásticas" que maior influência tiveram nas suas ascenções à cátedra de S. Pedro. Os mais conservadores - nos quais me incluo... -, convictos de que tudo deveria ser feito em prol da glória de Deus, incluindo a grandiosidade litúrgica que nada roubando aos homens antes os engloba nessa grandiosidade, têm como referência papas que procuraram conciliar as exigências de uma vivência cristã, em que é pedido que se ame o proximo como a nós mesmos (partindo do princípio de que, agraciados com o dom da vida, amamos o nosse eu e investimos no seu aperfeiçoamento), com a infinita grandiosidade da transcendência para onde dirigimos o nosso olhar.
O Concílio Vaticano II - numa leitura intencional que Ratzinger terá considerado algo livre e por demais terrena - vem procurando, na melhor das intenções, alterar a direcção do olhar da Igreja: num mundo que - vá-se lá saber porquê! - se ambiciona "laico" , ou deus anda pelo meio dos homens na terra onde eles começam e acabam - não como o fez Jesus no iluminado e limitado espaço mediterrânico, mas na confusa mélange social do "mundo global"(?) em que a grande ambição parece ser a conquista das "vitórias" que censuramos nos outros - , ou é apenas um acessório cultural, com um compêndio moral ad hoc e respectivas normas jurídicas, que, tristemente, uma considerável parte usa em prejuizo de uma ainda mais considerável percentagem.
Creio que, mesmo repudiando "Charlie", qualquer das perspectivas deva ser livremente assumida e defendida mas jamais agredida!
Porque se é certo que os mais frágeis e desprotegidos precisam de uma Igreja com força suficiente para os defender, também necessário se torna que entre os que, honesta ou subrepticiamente, se servem da Igreja em benefício próprio, retirando proventos ou obstaculizando acessos aos que não sabem ou não conseguem movimentar-se nesses meios, estejam sacerdotes que os encaminhem a eles e aos bens de que usufruem no sentido da partlha de que eles, sendo quem são, com as suas idiossincrasias, serão capazes. Não podendo, ou nem sequer desejando vencê-los, que haja quem se junte a eles e, conhecendo-os e às suas fragilidades, seja capaz de os respeitar e ajudar.
Que o nosso Cardeal Patriarca, Senhor Don Manuel, cuja ascenção ao lugar que ocupa foi para mim uma enorme alegria - tal como o terá sido para todos aqueles que acreditam que ser cristão é ser homem entre os homens tendo Cristo como referência e exemplo e procurando a nossa perfeição no mistério da sua divindade - nunca esqueça, nem por um momento, que a miséria não está só onde habita a pobreza, e que a necessária transfiguração não residirá talvez numa certa indigência do aparato litúrgico, como o papa Francisco parece defender, mas no evidenciar da limpeza de, como poeticamente disse Sophia Melo Breyner, os "túmulos caiados onde repousa por baixo a podridão". E hoje, perante uma imparável insatisfação no que à amoralidade diz respeito, há que abrir caminhos de verdade em que as intenções se revelem na pureza que lhes atribuimos. Creio que a Igreja só beneficiará se se envolver criteriosamente, e o menos possível, com os meios de comunicação social, onde o dinheiro e as audiências que o alimentam deixam cair nódoas ou perfumes sobre pessoas e instituições consoante as suas conveniências.
Que o Espirito Santo o ilumine, e acompanhe todos os que consigo decerto, implicita ou explicitamente, trabalharão em prol de uma comunidade católica que se quer ver singrar não apenas em quantidade mas na qualidade , e em que uma juventude emergente nos enche de esperança, apesar dos enormes desafios e solicitações, por vezes tão negativas, que uma implosão desenfreada dos "mídia" lhes faz chegar e que as circunstâncias sociais favorecem negativamente.
Hoje estamos todos de parabéns. Não só em Portugal como na comunidade lusofona e nos remotos lugares que o papa achou por bem distinguir. Que Deus ajude e o espírito cristão acompanhe este nosso mundo que finge ser laico... ao serviço de outras religiões!
Vivemos numa espécia de sono em que o sonho alterna com o pesadelo e em que corremos o risco de não distinguir entre ambos, tal a confusão gerada pelas ilusões com que os envolvem e que inviabilizam qualquer esperança de conhecero grau de identidade - se algum... que poderão ter com a verdade.
Aquilo a que chamamos "mundo" mudou muito, há já bastante tempo e de forma subreptícia e acelerada.
A "realidade", tal como a aprendemos e na qual decorriam as nossas vidas é hoje uma virtualidade. Nada, ou muito pouco, daquilo em que nos fazem crer, é real no sentido em que nos habituámos a identificar a realidade com a verdade dos factos.
E isto não decorre apenas da perversidade dos actuais ou potenciais detentores dos vários poderes, mas mas do modo como eles se relacionam entre si, numa vastíssima sociedade secreta que abarca no seu mutante secretismo todas as até há pouco consideradas "sociedades secretas". De vez em quando atiram-nos com uma nova "sociedade secreta" - caso de Bilderbeg - divulgada pelos próprios para que haja um osso democrático com que se entretenham os povos enquanto a Grande Sociedade Secreta Mundial trata de coisas sérias, das que nem os seus membros ainda têm perfeito conhecimento mas segundo as quais visam, com a multiplicação dos meios de que dispõem - e que, curiosamente, são os mesmos de que dispomos mas acérrimamente vigiados e controlados pelas mais diversas instâncias desse obscuro Poder - criar um mundo que os satisfaça a todos. Pretensão grandiosa e impossível que, muito provavelmente, terminará numa guerra em que se degladiem o real humano e as virtualidades da técnica.
É frequente quando alguém menciona um facto socialmente mais transcendente alguém dizer: "Este anda a ver muita televisão... E, contudo, muito do que nos chega nas séries da Fox e em vários documentários que, "et pour cause", só passam quando quem trabalha já se recolheu, descodificam muito dos processos que conduzem a factos "inexplicáveis" com que a comunicação social nos confronta diariamente e para os quais, segundo os nossos valores e imagem que guardamos de uma realidadee que já não o é, não encontramos explicação. Impotentes, lamentamos a proliferação desses factos e seguimos em frente sem nos apercebermos dessa nova realidade e da virtualidade que é viver numa sociedade há muito extinta.
A verdade é que a WEB não é apenas uma rede de pescar que alimenta a publicidade, mas uma rede de prender,de malhas cada vez mais fechadas, onde cada um de nós é, sem que disso se aperceba, um nó em linha com uma infinita e incontrolável infidade de ligações. Somos, sem nos darmos conta, os mensageiros de tudo o que, de melhor ou pior, os que tecem a rede nos deixam capturar. E fazêmo-lo sem certezas, Apenas com suspeitas, porque o mundo deixou de nos merecer confiança e já nos habituámos a viver com isso.
Sabemos que enquanto escrevemos alguém nos vai lendo, que as comunicações de voz são quase públicas e mesmo gravadas, sabemos, porque a verdadeira realidade assim o exige, que, para nossa segurança, vivemos sob aturada vigilância. A liberdade, tão valorizada e proclamada como valor primordial, reduz-se à liberdade de um Charlie.
Daí a saudável necessidade de, por uma questão de consciência, nos alhearmos do que apenas existe porque nos dizem, dos que afirmam fazer opinião, dos que, manhosamente,afirmam ser seu desejo dar-nos espaço para pensar (como eles, claro!), dos que se pavoneiam de gravata roxa ou de qualquer outra cor no intuito de irem criando a sua própria rede, rede que, ignoram eles, será apertada pelas fortes malhas das circunstâncias.
O que se passou agora na Grécia, seja qual for o desfecho, foi a tentativa de um Povo que descobriu as virtualidades da inteligência de provar que há quem creia que a realidade, por pior que seja, ainda é possível. Aquilo é verdade!
Por cá congregar-se-ão linhas partidárias, ideais, movimentos, circulos, e os habituais topa-tudo que nunca desperdiçaram um contacto e que, subservientemente, se disporão a po-los ao serviço de todas as causas. Porque já não é de ideiologias que se trata, nem sequer de ideais. É de Poder que se trata e daquilo que o alimenta. É essa a motivação que faz emergir insuspeitas colónias de prestáveis servidores.
Não é de espantar que a Religião regresse ao papel que sempre teve na vida das comunidades humanas. A Religião é, em si, a essência do transcendente, do que não precisa ser explicado nem útil porque é inerente ao Homem, iniciático e alheio a todas as entropias que os séculos e o conhecimento acumulem.
Magoa ver atacar qualquer religião ainda que não seja a nossa. Mais magoa assistir à falta de empenho com que defendemos a nossa! Como se tudo se reduzisse à tolerância, ao acolhimento do inimigo, à prática programática - e tantas vezes duvidosa - do bem, a duas ou três das vinte e quatro horas do dia a pedir ou a agradecer a Deus. Que se passa nas outras???
O título vai em francês, a lingua de "Charlie", para dar um ar mais culto ao tema e, para cheirar menos mal, acrescente-se-lhe um perfume YSL. Infelizmente, nada disso poderá alterar a repelência contida nesta triste realidade!
Pus-me a pensar - penso muito (é de graça..), vejo notíciários e leio jornais e revistas de todos os países cuja Língua conheço - e, depois de muito meditar cheguei à conclusão que já não vale de todo a pena pensar em termos de "Mundo", "Humanidade", "Universo"e outros conceitos que na sua vastidão envolvem uma imensidão de subsistemas através dos quais chegam às nossas vidas e nos dão cabo do sistema nervoso.
A verdade é que já não vale, de todo em todo, a pena termos a pretensão de mudar o mundo e nem sequer a de alterar o que nos vêm querendo fazer crer - os que julgam que mandam, apesar de também eles estarem enganados...- que depende de nós. Já nada depende de nós, seja qual for o "nós", há que tempos| A única coisa que podemos e devemos fazer é abstermos-nos de tudo aquilo que, em termos de justicações estatísticas, sirva para apoiar as breves e arriscadas ilusões de poder com que brincam alguns indivíduos e as cadeias de subserviência e ausência de escrupúlos que os apoiam.
Aquilo em que pensamos quando falamos de "mundo" está fora de todo e qualquer controlo, e aquilo a que assistimos é à busca feroz e incessante em que povos, raças, tribos, classes e instituições se empenham para encontrarem os seus caminhos e demarcarem as suas áreas.
Daí que a tão amada palavra "democracia" - um conceito que inocentemente os gregos inventaram e onde tem cabido tudo o que a contemporaneidade lhe tem querido meter dentro - comece a perder terreno em favor do "delivering", conceito mais inclusivo mas incomparavelmente mais difícil de promover em qualquer das suas várias vertentes. Resumindo: a globalização no seu melhor, propondo-se como solução a um mundo onde tudo caminha em sentido contrário, em que as convicções de pertença estão cada vez mais presentes e arreigadas. Não vai dar! Ainda que seja a ONU a vendê-lo! Não vale minimamente a pena levar isto mais a sério do que às comissões de inquérito com que por cá a oposição entretem o tempo.
Outra coisa de que é urgente abstermo-nos é de tudo o que for feito para "as massas": programas de Tv, festivais, concursos, "futebóis", telenovelas, etc.. Tudo isso visa criar-nos preocupações fictícias que nos impeçam de pensar em temas que, se pensados, tornariam turbulentas "as massas" - reacção altamente improvável em povos de brandos costumes - e nos mantêm entretidos enquanto "eles" (sejam quem forem "eles"e pelo tempo que forem) se entretêm com o exaustivo jogo de nos enganarem a nós, se enganarem uns aos outros, enganarem-se a eles próprios.
No meio de tudo isto começa a ser importante ter em conta a "inteligência artificial" que, não sendo propriamente uma novidade - já se trabalhava nisso na Alemanha dos anos trinta e já está presente há muito em diversos utensílios mais ou menos sofisticados do nosso quotidiano, embora sem tão científico título - começa a assumir tarefas bastante mais "invasivas" nas nossas vidas, na medida em que pode ser utilizada por qualquer estúpido a quem sejam fornecidas instruções comportamentais que ponham a máquina a agir como gente.
O tema, que tem vindo a ser tratado com alguma preocupação em vários media, comporta riscos vários para populações indefesas e desconhecedoras dessa possibilidade. É o caso do acompanhamento de pessoas sós, doentes, idosos, pessoas de todas as idades com grande necessidade de interrelação, como os quase obsessívos frequentadores da web. Respostas psicologicamente estudadas para os diversos perfis e necessidades poderão ser automatisadas e, para o bem ou para o mal, viajarem pelo espaço sem que seja possível atribui-lhes uma responsabilidade pessoal. Estudado, ou escolhido, um determinado perfil é possível ganhar a confiança dessas pessoas através das respostas adequadas aos seus desejos ou preferências. Isto, parecendo não ter grande importância, pode ser altamente nocivo, inclusivamente no que respeita comportamentos sexuais com menores - é tão possível ser pedófilo através da net como em contactos físicos... - já que do discurso erótico ao discurso sexual vai uma ténue distância que as pulsões se encarregam de eliminar. Acresce que a coisa funciona, ainda que independentemente da imagem real, que ganha contornos ideais na imaginação do outro. Um moço atarracado, com o estomago a cair-lhe por cima do cinto ou uma rapariga despida do comum dos atractivos, podem ser jovens esbeltos e dotados de toda a espécie de atractivos para quem com eles se envolve numa relação que só é virtual devido à ausência sensorial, mas com uma intimidade que se solidifica e aprofunda, com todos os riscos que a habituação comporta. Abstenhamos-nos de amizades e "likes" com desconhecidos nas redes sociais.
Mais complicado, ou não menos perigoso, é o desenvolvimento celular da robótica que, teme-se, poderá acabar trabalhando contra os homens...como, aliás, tantas outras invenções subsidiadas pelos que têm capacidade financeira para o fazer e esperam por essa via dominar o mundo.
Aos drones, e às balas inteligentes que matam os homens mas poupam os edifícios, seguir-se-ão soldados/robot e outros do género que um dia darão aso a que se possa ser assassinado por um robot não identificado que não deixa impressões digitais nem sinais da íris, nem qualquer humano vestígio.
Posto isto creio que o que devemos fazer é vivermos como nos acostumámos a viver quando as nossas únicas ocupações eram a nossa vida e a dos nossos, quando a solidariedade se chamava caridade e ninguém fazia dela modo de vida, orientados pelas regras do Direito Consuetodinário, ouvindo as "nossas" músicas, sejam elas quais forem, mantendo os nossos hábitos de vida, especialmente os que não custam dinheiro, selecionando relações antigas, evitando confundir conhecimentos com amizades, e evitando até ao limite do possível a dependência das instituições, fontes de desorientação e descrença.
A privacidade - ao contrário do que se apregoa por razões de marketing comercial - é hoje o maior dos luxos!
Não alimentemos mais ilusões sobre o mundo apregoado nos desejos, intenções e conselhos dos internautas! Nada daquilo existe, ou existe apenas como raridade. As pessoas que os enviam podem até acreditar neles mas está à vista que apenas uma infíma minoria os praticará.
A verdade é que os mais velhos não aprenderam nada com a História e os mais jovens podem até saber muito de informática e serem experts nas suas profissões mas desconhecem-na, porque a História vende mal e não gera lucros.
Num mundo assim só nos resta retirarmo-nos! E fazê-lo honrando a Vida, permanecendo no pleno gozo de tudo o que ela nos proporciona apesar da intervenção multiplicadamente negativa dos homens.
Vem isto a propósito de uma ida a uma estação dos Correios para registar uma carta. Havia uma fila grande gente à minha frente e isso deu para observar todos os produtos que por lá estavam expostos. Espantou-me a quantidade livros e, especialmente, a qualidade "didáctica" com que se apresentavam. Todos, sobretudo todas, tinham conselhos a dar sobre a educação de filhos, ainda que fosse através da Astrologia, sobre os diferentes modos de encarar a vida nas suas diversidades e adversidades, sobre o amor, sobre tudo o que lhes vem à cabeça quando lhes dá para escrever. Mulheres decerto inspiradas pelos exitos que terão tido como mulheres ou como mães, o que lhes confere a missão de orientar as outras nesses caminhos.
A verdade é que ali estavam prateleiras e mesas cheias de conselhos - muito provavelmente insuflados em anos de psicanálise... - apelando ao lazer dos eventuais "clientes", num lugar onde seria de bom-senso e de bom gosto expor os nossos grandes escritores que, no meio desta avalanche de literatura que não tardará um ano sem que seja vendida a peso como papel para reciclagem, se distanciam cada vez mais do convívio com os leitores. Nomes como Eça, Aquilino, Raúl Brandão, Camilo, Paço d' Arcos, Ramalho, Pessoa - este, talvez pelo isoterismo que o envolve, reservado a tertúlias pessoanas - Pascoais, Fialho, e tantos outros grandes escritores e poetas de Língua portuguesa que são lidos em todo o mundo e que ficariam bem nos escaparates convidativos das estações de Correios. Acresce que o funcionário que me atendeu me deu conta da disputa levada a cabo por escrevinhadores e editores no sentido de os seus livros ocuparem os lugares mais chamativos. "Um inferno!".
A verdade é que escrever já não é mais uma actividade lúdica! Poucos são os que ainda escrevem cartas das que eram segredos sobre pensamentos, lugares ou sentimentos directos ao coração dos Amigos, e creio que menos ainda aqueles que mantêm um diário onde se vão dando conta do caminho percorrido, das suas esperanças, contradições, alegrias, desilusões. Hoje, apesar dos queixumes colectivos, toda a gente diz considerar-se heroicamente feliz ou em vias de o ser, e acha que deve partilhar esse estado de espírito - se tal se lhe pode chamar...- com os "infelizes" que, partindo da generalização do colectivo, andam por aí perdidos "à la recherche d'un heureux conseil".
Acontece que a edição tornou-se um modo de vida dos mais rentáveis e com menos empate de capital. Não me refiro, claro, aos Editores com um lugar já consagrado que nos leva a confiar no editado, mas a uma máquina editorial que se serve de tudo o que apareça escrito, desde um slogan de parede aos muitos textos, melhores ou piores, que circulam nas redes sociais. Tudo serve de inspiração a um qualquer "argumentista" que pega na ideia, dá uma volta ao texto para não parecer plágio, tira metade de um comentário do Face e completa-o com algo semelhante que leu no Twitter, recorre às estatísticas para conhecer a medida de "gostos" que merece, e temos romance! Caso valha a pena, põe-se o tradutor automático a funcionar, acrescentam-se na página de edição os nomes de dois ou três amigos como tradutores e revisores, e, caso o escrevinhador se ponha com exigências, pede-se a uma Editora que o aceite como subcontratado para ter direito a um lugar num livreiro.
O mesmo se passa com as publicações de imagens postadas nas redes sociais que, diga-se, se bem escolhidas dão ricas capas a pobres livros. Melhor ainda se "os business angels" forem chamados a colaborar através do aperfeiçoamento dos desenhos gratuitos dos internautas. Um negócio primorosamente montado, que não tem nada que o confunda com cultura, uma escrita feita pela máquina e para a máquina, a ciência da ficção em que, creio, o único que poderá ter algum encargo é o escritor desejoso de se ver publicado e aceder assim ao estrelato de um escaparate de um qualquer lugar de venda de jornais e revistas ou, se for bem relacionado, conseguir que um incauto empregado do livreiro lhe coloque o título entre os "top" mesmo que ninguém ainda o tenha comprado.
O panorama cultural português empobrece todos os dias! Seja sendo vítima de expedientes que banalizam pela quantidade o que deveria optar pela qualidade, seja, no inverso, pela falta de escolha de qualidade que os canais nacionais - os únicos a que a maior parte dos portugueses têm acesso - proporcionam. Alem dos noticiários - repetitivos, arrasadores de esperança ou vendedores de mensagens consideradas politicamente corretas pelos emissores - os programas são de uma impressionante miséria e vivem seja de uma espécie de lotarias telefónicas que muitos acharão convidativas, seja das oportunidades que são dadas aos participantes dos vários programas de gozarem o seu quarto de hora de glória.
Acontece, como vi hoje num qualquer noticiário, Catarina Vaz Pinto - mulher de Guterres? - dar-nos conta de algo interessante que tem que ver com o nosso passado, ainda que tratando-se da Sinagoga de Amesterdão, datada do sec. dezasseis, mandada construir pelos judeus portugueses e primorosamente conservada. Nisso se perdeu, contudo, a oportunidade de dizer que essa riqueza se ficara a dever à exploração das minas de diamantes e outras pedras preciosas levada a cabo pelos judeus no Brasil, com mão de obra angolana e guineeense, durante mais de um século, e que era comercializada na Holanda onde se concentravam os maiores lapidadores de pedras preciosas. Portugal, como sempre, pouco ganhou com isso. E o mesmo aconteceria com as minas de diamantes de Angola...
A verdade é que ninguém fala de nós! A preocupação com "a imagem" não deve inquietar-nos. Não há jornal ou revista estrangeira que se lembre que existimos, a menos que se trate de Ronaldo - com menção nas páginas centrais no ABC de Madrid -, ou do ex-misnistro Arnaud por algo que envolve as relações da política com a Banca internacional, com o BES pelo meio
Nestes tempos em que parece que tudo acontece mas em que, de facto, não acontece nada, vem-nos um certo apetite de darmos uma voltinha pela grande História da desfalecida Civilização Ocidental e procurarmos entender, na modéstia das nossas capacidades, esta longa sequência, eivada de desvios e reencaminhamentos, de medos e ousadias, de superstições que acabaram sendo determinantes e tidas como sinais que por vezes parecem estar para lá do humano.
Vem isto a propósito de um facto que sempre me intrigou e ao qual nunca ninguém me deu uma resposta satisfatória: que razão terá levado D.Luís e D.Maria Pia a baptizarem o seu filho primogénito e presumptivo herdeiro com nome de Carlos, nome jamais constante na longa lista de mais de seiscentos anos de monarquia que Portugal já levava? Curiosamente, ao contrário do irmão, a quem foi dado o nome de Afonso Henriques, D. Carlos não tinha na enorme lista de nomes que a sua real pessoa comportava, muitos dos quais - se não todos... - remetiam para significados e ligações familiares ou religiosas que decerto os estudiosos saberão explicar, nenhum dos nomes tradicionalmente usados em qualquer das dinastias!
Não se tratando de um herdeiro por acidente, como foi o caso de seu Pai, a escolha é algo intrigante. E ainda mais intrigante se torna quando procuramos este nome na história da Europa, ou seja, quando nos confrontamos com "a importância de se chamar Carlos" em qualquer dos idiomas em que quer o poder político e religioso, quer as desgraças da Europa, se registaram para a posteridade.
A Carlos Martel, o rei Merovíngeo que no século VIII salvou a civilização cristã e o Ocidente da conquista muçulmana, segue-se Carlos Magno, fundador do Sacro Império e da dinastia Carolíngea, imperador que se empenhou em libertar o papado do poder de Bizãncio e que, mesmo não sendo as suas relações com o papa Estevão II as melhores, o apoiou , em 756, na fundação do que viriam a ser os Estados Papais.
Depois de uma longa Idade Média a Europa cristã ressusge com o Carlos Borromeo , arcebispo de Milão, um homem da Renascença que põe especial empenho na educação do clero com a criação dos primeiros seminários e a promoção de sínodos diocesanos e de escritos catequéticos e de divulgação da doutrina católica.
Posto isto, CARLOS surge como o nome que mais se identifica com a determinada defesa da Igreja de Cristo mas que parece esgotar-se em si, transformada a acção dos seus detentores em insuportável e frragilizante fardo para os que lhes sucedem.
Curiosamente o nome, a que se associam tantas glórias da civilização ocidental, tem associadas, a partir de determinada altura, uma série de tragédias que vão desde os malfadados Stuarts aos banidos Carlistas nossos vizinhos, passando por várias figuras reais que se tornaram personagens romanescas.
No Vaticano, Karol Woijtyla preferiu adoptar para a posteridade o nome de João Paulo II a ficar como Carlos, o seu nome de baptismo.
E veja-se: o que a tudo isto me trouxe foi, afinal, o facto de o único rei Carlos que tivemos - sei lá eu porquê! - ter sido protagonista de tão injustificável tragédia que, na realidade, foi o epílogo da Monarquia em Portugal.
Apesar de haver muita gente doente ou à procura de doenças, o certo é que os médicos, especialmente os que apontavam para determinados alvos sociais, não estão em fase de muita procura. As pessoas estão a começar a ir ao médico quando estão de facto doentes - geralmente quando estamos doentes, por muito distraídos que sejamos, damos por isso...- ´porque a complexidade da vida pouco espaço lhes deixa para se entregarem a banais doenças e, ainda menos, para ver se descobrem alguma. Só os velhos, curiosamente, têm esse amor à vida. Os outros, os de meia-idade, já só se dispõem a fazer "check up" quando muito instados ou, também acontece, quando pensam residir no corpo o mal que lhes afecta a alma ou encontrar aí um desvio para as suas preocupações existenciais.
O facto tem levado a que certos médicos do tipo "faishonable" - os que procuram criteriosamente os seus nichos de mercado - se vejam por vezes obrigados a um oportuno "upgrade".
Vem isto a propósito de um médico convidado - não sabemos se a pedido do próprio se do apresentador...- para dar a conhecer as suas descobertas no campo do envelhecimento, em um daqueles programas populares com que as televisões preenchem o tempo dos que o têm. calhou-me te-lo e divertir-me a vê-lo.
O médico, sujeito bem apessoado, bem falante e portador de um nome reconhecível entre a "boa sociedade", trazia com ele um Zézé, já por demais conhecido nem sempre pelas melhores razões, que se dispôs, em prol do marketing, a exibir fotograficamente, em boxers, a sua triste figura antes de se ter deparado com a competência do miraculoso médico, e uma segunda na qual tinha, ao que deixou no ar, perdido, além do peso de massa corporal, o peso dos anos. E tudo graças ao doutor que, após ter explicado os motivos que o tinham levado a deixar a área das drogas por ter concluído, ao fim de vários anos de proveitosa clínica, aquilo que qualquer inspector da Polícia com esse sector a cargo já lhe teria dito há muito, ou seja, que o combate à droga passa pelo combate à rede de produtores, traficantes e consumidores. Desgraçadamente as próprias famílias também terão chegado há muito a essa conclusão e percebido que, por mais doloroso, é mais fácil aprender a conviver com o facto do que desgastar-se na cura de situações maioritariamente irreversíveis.
Inteligentemente, o doutor abraçou o mercado onde se situa a clientela mais numerosa, predisposta, e com mais meios financeiros para tentar o sucesso - o que não acontecia com os drogados que constituiam uma terrível sobrecarga familiar de despesas que se adicionavam aos expedientes das exigência do consumo - , ou seja: O ENVELHECIMENTO.
Um regalo ouvi-lo, porque o doutor não descurou nenhuma das vertentes afectadas nem o perfume da sedução no que propunha, com grande simplicidade, para as conter.
O retardar do envelhecimento vai, segundo ele, desde o controlo do peso - aqui nada de novo porque este parece ser hoje um dos flagelos sociais que afecta mais a sociedade que os próprios, alguns com experiência de antepassados obesos que terão "falecido" proximo dos cem anos - , controlo conseguido com espantosa rapidez, a avaliar pelo ZéZé junto, mas também por um desejável emagrecimento da consciência, "objecto" que, segundo um franciscano meu amigo, não deveria existir. O doutor também propunha isso: deitar o passado para trás das costas deixando lá ficar tudo o que pudesse perturbar a consciência - creio ser isso o que os políticos, auxiliados pelos juristas,já aprederam há muito a fazer sem precisarem de recorrer ao médico - , iniciar um presente limpo de post-ocupações, um presente feliz virado para um futuro cuja principal preocupação fosse concentrarmos- nos numa motivação que nos faça felizes. Enfim, ter a FELICIDADE como lema, caminho e meta.O hedonismo como modo de vida, numa época em que a felicidade se mostra tão exigente, e com receituário privado.
É óbvio que, num tempo em que a felicidade - a felicidade a sério e não alienações em compatibilidade com a bolsa ou com a amoralidade - se ausenta com bastante frequência da vida das pessoas e das comunidades, o apelo é extremamente atractivo! E o segredo, se tal se pode dizer, reside no ESQUECIMENTO!
"Varridela" para os que praticam o mal com o gozo que lhes dá poder praticá-lo, se possível mascarado de bem; "conselho" para que os que são dele vitimas esquecerem tudo o que lhes aturaram, a destruição das suas, horas, das suas vidas, dos seus países, dos seus valores, dos fundamentos da sua fé no mundo, etc..
EMAGRECER E ESQUECER! Eis um remédio simples e, tendo em vista o Zézé, de resultados garantidos.
Corremos o risco de voltar a engordar - Christina Onassis, com todos os seus milhões, foi um harmónio...- ou de à hora da morte, como parece ter acontecido com empedernidos ateus, termos um rebate de consciência, com a dúvida pendente entre o perdão e o castigo. Mas nessa altura quem se lembrará daquele médico?
Tudo aponta para que estejamos a assistir ao fim de uma Civilização que foi conformando o mundo à sua imagem e o foi liderando segundo os seus conceitos por mais de dois mil anos. Á requintada e socialmente organizada civilização do Mediterrâneo, seguiu-se a civilização atlântica, mais mercantilista e vocacionada para a supremacia do ter sobre o ser na consolidação do Poder.
A grande dispersão que se seguiu, ora atropelando, ora absorvendo a grande maioria das culturas por onde passou, teve também o reverso: vestiram-se povos autóctones enquanto que os colonizadores se iam despindo cada vez mais, artistas como Picasso encontraram inspiração estética em raízes africanos, e muitos outros factos será sempre possível mencionar, pese embora a relutância com que a actual "civilização ocidental" - ela também reduzida já a um mero conceito - aceite a origem desses fenómenos.
No campo da Estética a Civilização Ocidental foi grande devedora da harmónica e insuperável divina proporção da estética grega. A verdade é que os gregos tinham a seu favor, para além de uma organização social que favorecia o lazer e, consequentemente, o puro pensar - sem outro objectivo que não fosse o pensar-se e interrogar-se sobre o pensado -, beneficiava de condições geográficas em que a Natureza se apresentava no mais belo e requintado estado de pureza. A leveza do céu, de onde emerge uma luz branca que proporciona doces variações tonais, a transparência dos mares, a quietude das ilhas, a beleza consciente que inspirava a vida das suas gentes, tudo concorria para que fosse possível a invenção de um Olimpo povoado de deuses com características humanas , quer amistosas quer guerreantes, que a sua condição de divindades avolumava. Mas em tudo imperava o culto do Belo e a razão da sua origem e aceitação.
Foi essa a estética que orientou as nossas artes pláticas e, porque a visão é talvez o mais imediato dos sentidos, marcou as nossos gostos. Levámos séculos - por que não dizer: milénios - a "curtir" a beleza nos moldes em que tinha vindo a ser transmitida e usada , quer na concepção física do divino, quer na nobreza que aportava a descrições, estátuas e bustos dos heróis na diversidade dos seus campos.
O abandono do culto do Belo -tal como o reconhecemos e adoptámos, inclusivamente na Moral ,onde o Bom e o Belo se confundiam (não era concebível aceitar como belo um acto imoral ou amoral, associando-se desde logo o Mal à fealdade das bruxas e a beleza à serena bondade das fadas) - tem, dentro do abandono e rejeição do contexto civilizacional do Ocidente, tido conseguido um percurso rápido. De repente o Belo, que começara a identificar com o "luxo" devido a uma opção quase exclusiva das élites, ultrapassou a decadência que enfermou todas as outras áreas de culto da sociedade dita ocidental. E, o que até então tinha sido considerado feio, passou a ser visto como uma discutível opção, que tanto poderia ter como conteúdo esse como o seu contrário. E, assim, chegámos onde chegámos!
Hoje, vendo o anúncio de um livralheco de banda desenhada - que, ao que parece, ainda que em versões mais saudáveis, entrou tristemente em moda e há que não perder a "onda"...- concluí que o mau-gosto deixara de ser apenas uma fatalidade e se propunha começar a fazer escola. O "album" - anunciado! - irá reproduzir-se e tratar o tema que lhe serve de título: "Um casal vulgar". E, creiam, é de vulgaridade que se trata! A capa - da autoria de um "gólfista"desenhador- apresenta o casal. Uma mulher avarinada, sem idade, de cabelo no ar e seios pendendo sobre onde se supõe seria a cintura, fugindo de um homenzinho entradote, atarracado, com um olhar espantado por detrás de grossas lentes, calças em saca-rolhas e o ar de quem ia saltar para cima da mulher que o mirava em fuga e violá-la...caso ela quisesse.
Apresentar assim um casal, por mais vulgar - subentendendo que a intenção é falar de um casal tipo - inclina-nos mais para um "casal ordinário" (será que o título foi escolhido em francês?) do que para ideia que temos de um casal normal, por mais simples e provinciano que o pensemos. Tudo ali é feio! Pode ser que na página dez, Deus se tenha compadecido deles - e dos leitores - e lhes um bebé bonito como o são todos os bebés, que se fosse vida real, teria que arcar pela vida fora com aquelas inóspitas criaturas.
Isto, porém, é um fait divers. Ninguém é obrigado a comprar o album e poderá sempre deitá-lo fora ou usá-lo parcialmente para outros fins. O problema é que o "estilo" rompe barreiras onde a solidez do Bom/Belo se fragiliza. Temos hoje uma geração como talvez nunca tenhamos tido: jovens altos, escorreitos, conservando os traços de famílias bonitas de onde vieram, de uma agradável politesse, alinhando na vulgaridade apenas quando não desejam passar despercebidos. Distinguem-se mesmo em farrapos porque até os farrabos neles são bonitos. Mas temos também, num crescendo, um prazer da extravagância que choca mas que cabe na regra de ouro deles em que "o que importa é ser feliz". O desmazelo, que aliás sempre foi atributo das famílias feias, como que querendo acrescentar algo que mostrasse que eram assim por opção e não por fatalidade, tornou-se um complemento de vida que por vezes se confunde erradamente com a falta de asseio.
É certo que nem todos os homens podem ter metro e meio de pernas, mãos musculadas, narizes aquilinos, e uns belos olhos resplandecentes, tal como nem todas as mulheres podem ter figuras esguias, belas cabeleiras, ollhos bonitos, pele de pessego, e um andar flutuante. Cada um é como é em cada uma das fases da vida. Mas fazer o elogio do feio, celebrá-lo, como se uma mulher desaustinada e um homenzinho de perna curta, narizinho de boneco, mãos de donzela e olhos piscos fossem uma maioria de tal modo que nem se desse por que eram assim, será demais.
Num mundo em que tudo é feio, desde o modo de estar e se exibir, até ao baixo calão - a procolália invasora - passando pelo insuportável elogio em causa própria, como se cada um de nós fosse seguidor/praticante de Kant e desejasse que todos nos comportássemos como eles, vai uma cada vez menor distância. E isso, juntamente com a estranha lição de liberdade que pôs a "europa" em alvoroço e serviu de banquete a uma comunicação social que vai levar tempo a mastigá-la, a menos que outros actos libertadores se imponham, e que repete ad infinitum os acontecimentos, com a banalização do sagrado, com o desprezo pela privacidade, com um oportunismo sem pátria nem dono, com uma ânsia de poder que visa apenas o bem de alguns em "off" e lamentando em "on" a situação dos que não podem e não têm, não nos conduzirá - como às vezes possa parecer - a uma nova versão da Idade Média. Porque temos um tronco sólido a que falta uma cabeça.
A verdadeira beleza, inspirada como sempre na beleza da Criação, surge agora na retoma das culturas africanas, com as suas belas mulheres e homens atléticos, que se dispões a revitalizar as suas tradições. O interesse pelo que deixámos vai-se perdendo. Quanto às grandes civilizações orientais com quem traficamos, fazendo embora a cortesia demostrar um agrado, não descuram, bem o sabemos as suastradições e padões de beleza que pasam pelos jardins e por coisas aparentemente tão insignificantes como o momento do chá. São SIM!
Passados quarenta anos Alberto João Jardim sai por decisão própria do lugar que ocupou brilhantemente como Presidente do Governo Regional da Madeira!
E fê-lo com grandeza! Nem todos os governantes têm o dom de acertar com o timimng exacto em que devem dar lugar a outros, especialmente quando têm vitórias garantidas e não o fazem por cansaço, velhice ou doença, nem sequer porque pensem abandonar a vida política.
É certo que Alberto João tinha - e continuará decerto a ter - um jeito muito próprio, que desagradava aos continentais do "quadrado" , que, venham de onde vierem, se julgam ainda células do Império que já fomos. Alberto João soube sempre lidar com essa desajustada e ridícula sobranceria. O que lhe importava era dar à sua linda e tão carente Ilha o estatuto que a sua gente e a sua beleza mereciam. E fê-lo.
A Madeira que Alberto João transmite ao seu sucessor, aparte a beleza natural, nada tem que ver com a Ilha em que pegou, em que aparte meia duzia de famílias, os turistas eram reis e tudo se passava como se a Ilha inteira existisse para os servir. Alberto João, sem nunca afastar a noção de que o Turísmo era o cerne da economia da Ilha, soube usá-lo para dignificar os que por lá viviam, muitos deles em lugares praticamente inacessíveis, outros em alguns lugares onde a miséria se instalara em todas as suas versões e adquirira um conformismo que parecia não ter mais remédio. Alberto João preocupou-se essencialmente com essas pessoas. Criou uma rede de transportes que permitiu que todos tivessem acesso ao Ensino. Dito aqui e pensando nas "conquistas de Abril" pode parecer pouco. Mas não o é para quem conhece a Ilha e as suas povoações escavadas na rocha.
É certo que para o fazer, para abrir caminhos que não fossem apenas para os turistas desfrutarem as vistas mas vias para quem ia estudar ou trabalhar, abriu estradas que nos podem parecer um exagero, consentiu que se construísse em terrenos pouco seguros para que os aglomerados que se amontoavam em lugares como Câmara de Lobos passassem a ser famílias e a ter as suas casas. Não terá conseguido tudo porque quer a Natureza quer os homens criam obstáculos que o tempo não consegue ultrapassar.
Nunca ouvi Alberto João falar dos pobres ou queixar-se da pobreza. Não teorizava; fazia! E fez muito! Levou electricidade a lugares onde nem esperança havia de que ela lá chegasse e deu a mão a muita gente que considerou ter capacidade e fidelidade para o ajudar na tarefa que se tinha proposto realizar. Poderão dizer que era isso que o levava a ganhar eleições, mas a verdade é que com aqueles ou com outros ele ganharia sempre de tal modo se soube identificar com a Ilha e com as suas muitas idiossincrasias de toda a ordem, nem sempre fáceis de conciliar num meio pequeno e fechado. A verdade é que não foram apenas as belíssimas instalações hoteleiras que acrescentaram fama à fama que a permanência inglesa deixara. Tem optimos estabelecimentos de Ensino e espaços gimno-desportivos, culturais e de convívio que satisfazem todas as classes sociais.
Não creio que, para além de alguma "bilhardice", se a houver, haja alguma coisa a apontar a A.J.Jardim. Se houvesse, com as oposições que cá e lá, embora por razões diferentes, pretendiam derrubá-lo, isso já teria sido aproveitado e usado ao estilo actual de fazer política. Dizem que é um ditador, que abusa da autoridade. Talvez! Mas é um autoritário com cabeça e plenamente entregue ao compromisso que assumiu quando se propôs governar a Ilha. Foi, digamos, o que nos faltou por cá...
Vinculado ao PPD-PSD desde início, foi responsável por todas as vitórias do partido. E os difeentes "leaders" tiveram sempre a consciência disso e sabiam que ele sabia que eles sabiam e, como seria de esperar, tirava partido disso.
Alberto João Jardim está livre e, já o disse, quer continuar na vida política activa.Seria um desperdício se o não fizesse. Fá-lo-à decerto como membro do PSD - maior defeito dele porque este PSD está longíssimo do PPD que ele estreou - e irá maia uma vez ajudar o partido a conseguir um resultado mais satisfatório, malgrée todas as burrices que os seus governantes têm feito ao longo dos anos.
Tudo isto para dizer que entre os putativos candidatos- todos eles já mais do que testados pelas estradas da política comos resultados por nós conhecidos e sofridos-desde o incansável e hesitante perdedor que é Marcelo-comentador, até Santana Lopes - agora bem aconchegado na Santa Casa - passando pelos "nins" de Durão e Guterres, candidatos é o que não falta! Mas que provas temos das suas capacidades se uns nem lá chegaram e outros nos conduziram onde hoje jazemos?
Penso, e não tenho sobre isso dúvidas, que ALBERTO JOÃO JARDIM será, se se candidatar,o único candidato à PRESIDÊNCIA DA REPÙBLICA com provas dadas na área da governação e com objectivos plenamente claros e compreensíveis.
Claro que não será fácil romper na camarilha política que se entreteceu para lá de ideologias, procurando apenas os seus próprios interesses - sempre inconfessáveis, porque ou não os dizem ou mentem quando os dizem - e estando-se nas tintas para Portugal e para o seu Povo. Aparecerão grupos popularuchos reivindicando uma monarquia que, ainda que se seja monárquico, ninguém sabe ao que vem, aparecerão as aderências do soarismo e do cavaquismo e tudo isso se conciliará em quem prometer reformar uma lei, beneficiar um municipio, conceder um ministério à mana. Alberto João detesta os socialistas e não nutre maior apreço pelo CDS. Os pequenos partidos que se têm vindo a formar prestariam um enorme favor ao País ao País se apoiassem
ALBERTO JOÂO JARDIM À PRESIDÊNCIA DA REPÙBLICA!
dadas e com a genica de quem sabe determinar um rumo e fazê-lo Vingar.