Mais que não seja pelo facto de não sermos eternos, é irracional eternizar conflitos. Podemos não compreender, não esquecer o desperdício the tempo que significaram nas nossas vidas que, mesmo não sendo nós hedonistas e tendo, pelo simples facto de vivermos, o nosso quinhão de contrariedades, podemos considerar invulgarmente felizes...pelo menos até à data.
Olhamos para trás e vemos lá no início das nossas vidas - quando várias circunstâncias podiam fazer prever o contrário - uma infância extremamente alegre e feliz, a que se seguiram décadas de um amor/amizade doce e aconchegado, sem frustrações ou perversidades que afectassem a alegria da nossa casa, um tempo de realização pessoal inesperadamente bem sucedido, amizades que haveriam de nos acompanhar, amores de gente a sèrio que "sabiam bem" mas que se passavam com pessoas como nós, que não atropelavam nada para chegar aos "finalmente" que sabiamos morarem em outros lugares., a alegria de termos conseguido educar os filhos para o mundo onde iriam viver - e não para um lugar imaginario onde se mascarariam de algo que nos satisfizesse a ambição social - e onde constituiriam as suas própriias famílias com gente decente, cujos nomes não andassem nas paragonas dos jornais pelas piores razões, gente nossa que, por mais que nos distanciem questões de critérios, vemos florescer discretamente nas vidas de outras gerações que para sempre serão nossos descendentes.
Livremente, fizemos sempre as opções que racional ou intuitivamente, foram o agir da nossa liberdade sem que nisso interferissem outros critérios que não aqueles que conscientemente receberamos, questionaramos e adoptaramos. Depois disso, obviamente, não iriamos, já velhos, negá-los ao sabor das circunstâncias, apenas porque não reconheceram em nós aquilo para que em casa nos fadaram e que nos roubou o precioso tempo para cultivarmos os dons com que Deus - proscrito ou não da nossa vida - nos dotou.
As nossas vidas, por mais banais ou condicionadas que possam parecer, estão quase sempre recheadas de acontecimentos inesperados, tanto no tempo como no espaço. Mas acontecem, e não vale a pena chorar sobre os cenários "cor de rosa" - como os horrosos lençóis às florinhas dos supermercados que, penso, com um bocado de sorte acabarão por ficar brancos depois de umas passagens pela máquina...- porque a vida é como é, uma paleta colorida inspirada no arco-íris, e pode sempre acontecer que alguém abra a paleta fora do "cor-de-rosa" (côr que não existe porque as rosas, até elas, são de cores várias) e, despidos dos óculos tingidos de rosa não consigamos fitar a Luz clara da Verdade. Pecado de quem limpou as lentes? Talvez! Pecado de quem no-las ofereceu? Não interessa!
O essencial é que todas as histórias têm uma conclusão, tanto em fitas coloridas como a preto e branco. E há que ter a coragem - palavra que ouvi gritada hoje numa despedida - de colocar o ponto final. Os episódios, interessantes que possam ser de seguir, como muitos outros, passam-se num país que não é o nosso, para onde o personagem central emigrou, lugar que desconhecemos e onde reiniciará, embora tarde, uma nova vida - será nova??? - com outra linguagem, outros interesses, outras crenças, outra ética, outra estética. Um lugar lá longe que não poderiamos, ainda que quisessemos, alcançar e que não desejamos conhecer.
O outro, o que morreu quando partiu os óculos cor-de-rosa, ficará para sempre no nosso coração. Saberá sempre onde nos encontrar "se" ou "quando" a única pessoa, ou coisa que ainda o ligue ao tempo perdido - a Fé, a admiração por um homem que deixou dela em texto uma visão notável - desaparecerem ou falharem no meio desse mundo circense onde se acotovelam gerações, velhos pecadilhos, estratégias, projectos, vinganças, ambições e, talvez, esperanças e realizações. Contudo, nada disso jamais valerá o que de grandeza poderia ter sido!
Devo confessar que o facto de os supermercados passarem a cobrar os sacos de plástico foi algo que me deixou confusa! Custa perceber como só causam dano ao ambiente - visto que tudo o que embalamos nos super, das frutas aos legumes passando pela carne e o peixe, vem em sacos de plástico os sacos de plástico fino com asas!
Ontem, num café de referência do meu bairro, ouvi contar uma história por um grupo de jovens, entre gargalhadas.
Segundo eles, um relações públicas de uma multinacional de sucesso, sentindo instável a sua posição e baseando-se em informações recolhidas numa operadora de caixa, resolveu levar a peito o assunto. Com isso, e usando das múltiplas relações adquiridas no lugar que ocupava, teria adiantado uma sugestão que agradou simultaneamente aos donos dos estabelecimentos - passaram a vender o que ofereciam... - , ao Governo - que cobra mais um imposto sem meter as mãos na massa - , ao PSD - partido da sua esperança e aos inocentes Ecologistas.
Grato à operadora de caixa, tê-la-ia, segundo eles, nomeado sua contabilista, sua empregada doméstica, sua motorista , sua namorada - não foi bem este o termo por eles utilizado... - e o que mais revelassem os seus dotes. Em troca, além da promoção social, pagava-lhe com umas habilidades que aprendera nos lugares próprios e a promoção social possível, dadas as circunstâncias. Tudo gratuito!
A ser verdade, que Deus ajude a pequena! É muita função por tão exigua paga!
Estamos de ingresso em mais uma "saison politique", daquelas com que o fim da malfadada ditadura do fascismo nos brindou. Como tudo então era monótono e nós nem sequer nos apercebiamos disso! Nós, um povo que tem provado ser tão atento, incapaz de se deixar ludibriar, pronto a todos os sacrifícios - e até inimagináveis aldrabices! - para não perdermos a nossa independência e prontos a escolher e pagar sem regatear a quem nos governasse! Hoje, fnalmente, passados quarenta anos, mais do que Portugueses somos "europeus"! E somo-lo graças a estes incansáveis líderes que não se pouparam a esforços nem a despesas para que conservemos o orgulho da estirpe!
E eles aí estão de novo! E, como é de seu natural - a grande maioria jamais teria saido da mediocridade das suas vidas mais ou menos confortáveis não fora o seio acolhedor da República abrir-lhes os braços (não sei se repararam que a imagem que a representa exibe os seios prometedores)- jogam, em idades pré e pós reforma, as suas últimas cartadas! It's now or never!
É certo que nenhum, a avaliar pelos resultados, tem um prestigioso curriculo governativo que. sabemo-lo, se construiu de entendimentos, favores, expedientes em que, atendendo aos resultados, o país se manteve sempre na retaguarda dos partidos. Serviram-se do país para engrossarem os partidos e com eles dominarem instituições e delinearem os seus próprios futuros - ao contrário do terrível Salazar todos saem bem de vida - e, "with a little help from their friends", construiram esta maravilhosa sociedade com que os noticiários, cada um a seu jeito, nos confrontam diariamente, usando mesmo o irracional para convencer o povo do bem que deve a quem governa e do mal que se prepara na oposição que, diga-se, não deu provas nem promete ser melhor.
Os velhos - os tais que rondam a reforma (como se isso existisse para eles a não ser na disponibilidade que lhes proporcionam para ganhar mais uns cobres em outras actividades...) - já iniciaram a saison como comentadores a soldo de uma qualquer televisão; os novos, os talentosos novos que nos têm governado e que não beneficiaram da educação, instrução ou outra preparação profissional que não fosse o prometedor colo das juventudes partidárias, aprenderam sozinhos a arte de mentir. Mentem como ninguém! Mentem tão bem que, como dizia o Aleixo, sabem meter sempre uma ponta de verdade - cuidadosamente retirada de um qualquer contexto internacional, dos poucos que de nós falam, que dê para arrumar um elogio) nas mentiras que dizem. E fazem-no subtilmente, pela negativa, dizendo o que "nós não somos" e que poderiamos ser "se" nos comportássemos como eles. Mas nós somos nós e, actualmente, sendo nós não somos nada!
Vale a cada ser deste maravilhoso, sofredor e crédulo Povo de santa Maria, o que Deus pôs e vai renovando sem promessas. Apenas fazendo. Fazendo com que o sol nasça e ilumine as eiras, estejam elas cheias ou vazias, tire do interior da Terra o prometido Sangue, abençoe "as fontes e as borboletas que enfeitam as matas". E é aí - e não nos sacos de plástico, nas idas e vindas de essas criaturas palradoras a quem a Elsa Levy ou qualquer outra ensinou as pausas e as frequências exactas do discurso que se quer convincente ainda que nulo no conteúdo, nos desengravatados que por aí se identificam com um povo imaginário que pode queixar-se de não ter emprego, não estar satisfeito com a Educação, lamentar a qualidade dos serviços de Saúde mas que, acima de tudo, É PRECISO QUE VOTE "neles" que, para tal, vão começando a, como convèm, desprestigiarem-se mutuamente.
E o "povo", a maior fatia do indíce demográfico, votará de novo na esperança mesmo que saiba obscuro o seu lugar. E votará onde lhe disserem que é "útil" mesmo desconhecendo-lhe a utilidade.
Hoje - tal como vem acontecendo em vários países e regiões do mundo - o "fillet mignon" foi o terrorismo.
Portugal, graças a Deus e ao facto de só termos uma fronteira terrestre, não tem sido um lugar onde o fenómeno se tenha manifestado. Mas é sempre melhor prevenir do que remediar e, entre o susto como nos é mostrado o atrevimento grego, os problemas reiteradamente exibidos sobre o estado de saúde da Saúde, e a grave ameaça de ataques terroristas - com que finalidade? -, a sua passagem, ou o acoitarem-se aqui de armas e bagagens para os seus aguerridos destinos, ninguém tem disposição para ouvir os complicados discursos do Núncio sobre a "simplificação" dos impostos, nem a ministra da Justiça e uma outra triste senhora que a acompanhava dissertarem sobre as medidas a tomar, medidas que, ao que parece, além de dividirem as forças de Segurança se estendem muito para além da questão que os motiva.
Acima de tudo, há que pensar antes que se comecem a prender pessoas a quem tudo, mas tudo, foi permitido dizer e fazer como sendo uma conquista da democracia, tendo como motivação questões meramente políticas. E disso ninguém se safa!
Lembro Strauss-Khan quando à saída do Carlton, creio, foi abordado pelos jornalistas confessar que tinha tido medo, "muito medo" , quando o foram buscar ao aeroporto. Não faço ideia o que terá acontecido à empregada do hotel - bem de vida estará concerteza...- mas SK, que se remeteu ao silêncio (ele lá saberá porquÊ...) continua a ser julgado, não por uma fraude ou uma questão política mas por uma questão moral que leva a que uma série de mulheres se exibam de tronco nú, como protesto, apenas porque talvez não tenham tido acesso aos incríveis e nojentos episódios pornográficos televisionados em que as mulheres são usadas das mais vis maneiras. E, curiosamente, também são pagas!
Para já, acima de tudo, seria importante que o Governo definisse concretamente o conceito de "terrorismo" e a abrangência que lhe atribui. A "saison", que coincidirá com a Primavera, ficaria melhor elucidada. Que é decerto o que se pretende!