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Petite Fleur

Petite Fleur

THE TALK OF THE TOWN

Mais que não seja pelo facto de não sermos eternos, é irracional eternizar conflitos. Podemos não compreender, não esquecer o desperdício the tempo que significaram nas nossas vidas que, mesmo não sendo nós hedonistas e tendo, pelo simples facto de vivermos, o nosso quinhão de contrariedades, podemos considerar invulgarmente felizes...pelo menos até à data.

Olhamos para trás e vemos lá no início das nossas vidas - quando várias circunstâncias podiam fazer prever o contrário - uma infância extremamente alegre e feliz, a que se seguiram décadas de um amor/amizade doce e aconchegado, sem frustrações ou perversidades que afectassem a alegria da  nossa casa, um tempo de realização pessoal inesperadamente bem sucedido, amizades que haveriam de nos acompanhar, amores de gente a sèrio que "sabiam bem" mas que se passavam com pessoas como nós, que não atropelavam nada para chegar aos "finalmente" que sabiamos morarem em outros lugares., a alegria de termos conseguido educar os filhos para o mundo onde iriam viver - e não para um lugar imaginario onde se mascarariam de algo que nos satisfizesse a ambição social - e onde constituiriam as suas própriias famílias com gente decente, cujos nomes não andassem nas paragonas dos jornais pelas piores razões, gente nossa que, por mais que nos distanciem questões de critérios, vemos florescer discretamente nas vidas de outras gerações que para sempre serão nossos descendentes. 

Livremente, fizemos sempre as opções que racional ou intuitivamente, foram o agir da nossa liberdade sem que nisso interferissem outros critérios que não aqueles que conscientemente receberamos, questionaramos e adoptaramos. Depois disso, obviamente, não iriamos, já velhos, negá-los ao sabor das circunstâncias, apenas porque não reconheceram em nós aquilo para que em casa nos fadaram e que nos roubou o precioso tempo para cultivarmos os dons com que Deus - proscrito ou não da nossa vida - nos dotou.

As nossas vidas, por mais banais ou condicionadas que possam parecer, estão quase sempre recheadas de acontecimentos inesperados, tanto no tempo como no espaço. Mas acontecem, e não vale a pena chorar sobre os cenários "cor de rosa" - como os horrosos lençóis às florinhas  dos supermercados que, penso, com um bocado de sorte acabarão por ficar brancos depois de umas passagens pela máquina...- porque a vida é como é, uma paleta colorida inspirada no arco-íris, e pode sempre acontecer que alguém abra a paleta fora do "cor-de-rosa" (côr que não existe porque as rosas, até elas, são de cores várias) e, despidos dos óculos  tingidos de rosa não consigamos fitar a Luz clara da Verdade. Pecado de quem limpou as lentes? Talvez! Pecado de quem no-las ofereceu? Não interessa!

O essencial é que todas as histórias têm uma conclusão, tanto em fitas coloridas como a preto e branco. E há que ter a coragem - palavra que ouvi gritada hoje numa despedida - de colocar o ponto final. Os episódios, interessantes que possam ser de seguir, como muitos outros, passam-se num país que não é o nosso, para onde o personagem central emigrou, lugar que desconhecemos e onde reiniciará, embora tarde, uma nova vida - será nova??? - com outra linguagem, outros interesses, outras crenças, outra ética, outra estética. Um lugar lá longe que não poderiamos, ainda que quisessemos, alcançar e que não desejamos conhecer.

O outro, o que morreu quando partiu os óculos cor-de-rosa, ficará para sempre no nosso coração. Saberá sempre onde nos encontrar "se" ou "quando" a única pessoa, ou coisa que ainda o ligue ao tempo perdido - a Fé, a admiração por um homem que deixou dela em texto uma visão  notável - desaparecerem ou falharem no meio desse mundo circense onde se acotovelam gerações, velhos pecadilhos, estratégias, projectos, vinganças, ambições e, talvez, esperanças e realizações. Contudo, nada disso jamais valerá o que  de grandeza poderia ter sido!

 

ESTRANHOS CASOS

Devo confessar que o facto de os supermercados passarem a cobrar os sacos de plástico foi algo que me deixou confusa! Custa perceber como só causam dano ao ambiente - visto que tudo o que embalamos  nos super, das frutas aos legumes passando pela carne e o peixe, vem em sacos de plástico os sacos de plástico fino com asas!

Ontem, num café de referência do meu bairro, ouvi contar uma história por um grupo de jovens, entre gargalhadas.

Segundo eles, um relações públicas de uma multinacional de sucesso, sentindo instável a sua posição e baseando-se em informações recolhidas numa operadora de caixa, resolveu levar a peito o assunto. Com isso, e usando das múltiplas relações adquiridas no lugar que ocupava, teria adiantado uma sugestão que agradou simultaneamente aos donos dos estabelecimentos - passaram a vender o que ofereciam... - , ao Governo - que cobra mais um imposto sem meter as mãos na massa - , ao PSD - partido da sua esperança e aos inocentes  Ecologistas.

Grato à operadora de caixa, tê-la-ia, segundo eles, nomeado sua contabilista, sua empregada doméstica, sua motorista , sua namorada - não foi bem este o termo por eles utilizado... - e o que mais revelassem os seus dotes. Em troca, além da promoção social, pagava-lhe com umas habilidades que aprendera nos lugares próprios e a promoção social possível, dadas as circunstâncias. Tudo gratuito!

A ser verdade, que Deus ajude a pequena! É muita função por tão exigua paga!

NÓS, OS CATÓLICOS

Temos um novo e simpático Cardeal a quem, por ele e por nós católicos, desejamos as maiores felicidades!

Na oportunidade, atrevo-me a deambular um pouco pela condição que é a de muitos de nós.

Dizia Ghandi que tudo o identificava com a doutrina de Cristo e que só não era cristão devido ao que conhecia dos cristãos. Creio que muitos cristãos, sem deixarem de o ser, partilham da convicção de que, através dos séculos, o comportamento dos cristãos  não foi, mais vezes do que o desejável, algo que os distinguissde de forma positiva de outras convicções religiosas.

Apoiado num moralismo herdado da tradição hebraica - no seio da qual Jesus tinha nascido mas contra a qual se rebelara -  o seguir Cristo transformou-se numa doutrina com tanto de rigidez nos princípios como de ilimitada tolerância  nos fins e nas práticas que a eles conduzem.

Quer a revolução francesa, quer a revolução industrial tal como a implementou a sociedade inglesa  - ambas emergentes de sociedades cristãs de enorme relevância na Civilização Ocidental que, quer se goste ou não, é de matriz cristã - denotam, já em épocas de avançado conhecimento social e científico, uma extrema falta de sensibilidade que não bebia do tão propalado moralismo mas dele se servia para a encobrir.

Os valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade -  proclamados tardiamente pela revolução francesa, visto terem sido defendidos havia mais de mil e setecentos anos por Jesus Cristo, que em si concentrou todo o custo dessa pretensão  -  fizeram vir ao de cima, sob o ténue véu de uma justiça social que até hoje, independentemente dos regimes, não temos visto ser possível implementar, os mais negativos sentimentos que ferem a nossa humanidade.

A resplandecente época vitoriana, que partindo de uma invenção que, ao que parece, os chineses já conheciam havia três mil anos sem que lhe dessem aplicação para não menosprezar o valor do operar humano em favor da operacionalidade da técnica, travestiu de públicas virtudes os vicios privados que permitiram a criação de um império sobre o qual o Sol nunca se punha, e deu asas a uma economia desumana que, com o tempo, viria a alienar-se do mundo e a perder-se na sua própria grandeza.

Lembro-me de um francês, que tive como professor na faculdade, dizer que os dois momentos cruciais da história da Civilização Ocidental teriam sido a queda de Constantinopla e a revolução Russa. Não tenho condições,  por falta de conhecimentos de suporte, para confirmar ou contestar essa afirmação. Contudo, toda a minha intuição vai no sentido de a aceitar como verdadeira. Terão sido, penso, duas graves mutilações no seio de uma civilização construida numa solidez de princípios que se confrontaram e que, curiosamente, o fizeram na convicção da defesa intransigente desses mesmos princípios.

Qualquer destes momentos históricos deu lugar a especulações - e digo-o no bom sentido...- que acabariam por confundir, numa versão empobrecida pelas realidades que geraram, o poder dos homens com omnipotência de Deus, atribuamos-lhe nós o nome que quisermos,  já que Deus "É o que É" e, religiosos ou laicos, acreditando nos astros ou nos karmas, chamando-lhe destino ou fado, a verdade é que haverá algo de materialmente inatingivel que nos faz nascer "assim", viver "assim", morrer "assim", ainda quando consideremos que tudo termine quando o nosso pó alimentar a terra e um espírito hegeliano algo recolha da nossa duração.

A Igreja Católica - dois mil anos de história plena de cambiantes sobre os quais só inconscientemente nos atrevemos opinar - vive um momento complicado, que se compagina com o tempo complicado que é o do mundo em que se insere e em que nada é fácil porque a Razão se desdobra em razões que tornam argumentativamente contestável em nome de um volátil presente  tudo o que é passado, e têm como rumo para um futuro desejado bases meramente experimentais que dificilmente alguma geração irá ver concretizadas e, consequentemente, elaborar uma opinião sobre este "fazer de vida".

O Vaticano conheceu nas últimas sete décadas - apesar do longo pontificado de João Paulo II - uma notável variedade de tendências, reflexo talvez das diferentes "escolas monásticas" que maior influência tiveram nas suas ascenções à cátedra de S. Pedro. Os mais conservadores - nos quais me incluo... -, convictos de que tudo deveria ser feito em prol da glória de Deus, incluindo a grandiosidade litúrgica que nada roubando aos homens antes os engloba nessa grandiosidade, têm como referência papas que procuraram conciliar as exigências de uma vivência cristã, em que é pedido que se ame o proximo como a nós mesmos (partindo do princípio de que, agraciados com o dom da vida, amamos o nosse eu e investimos no seu aperfeiçoamento), com a infinita grandiosidade da transcendência para onde dirigimos o nosso olhar. 

O Concílio Vaticano II - numa leitura intencional que Ratzinger terá considerado algo livre e por demais terrena - vem procurando, na melhor das intenções, alterar a direcção do olhar da Igreja: num mundo que -  vá-se lá saber porquê! - se ambiciona "laico" , ou deus anda pelo meio dos homens na terra onde eles começam e acabam - não como o fez Jesus no iluminado e limitado espaço mediterrânico, mas na confusa mélange social do "mundo global"(?) em que a grande ambição parece ser a conquista das "vitórias" que censuramos nos outros - , ou é apenas um acessório cultural, com um compêndio moral ad hoc e respectivas normas jurídicas, que, tristemente, uma considerável parte usa em prejuizo de uma ainda mais considerável percentagem.

Creio que, mesmo repudiando "Charlie", qualquer das perspectivas deva ser livremente assumida e defendida mas jamais agredida!

Porque se é certo que os mais frágeis e desprotegidos precisam de uma Igreja com força suficiente para os defender, também necessário se torna que entre os que, honesta ou subrepticiamente, se servem da Igreja em benefício próprio, retirando proventos ou obstaculizando acessos aos que não sabem ou não conseguem movimentar-se nesses meios, estejam sacerdotes que os encaminhem a eles e aos bens de que usufruem no sentido da partlha de que eles, sendo quem são, com as suas idiossincrasias, serão capazes. Não podendo, ou nem sequer desejando vencê-los, que haja quem se junte a eles e, conhecendo-os e às suas fragilidades, seja capaz de os respeitar e ajudar.

Que o  nosso Cardeal Patriarca, Senhor Don Manuel, cuja ascenção ao lugar que ocupa foi para mim uma enorme alegria -  tal como o terá sido para todos aqueles que acreditam que ser cristão é ser homem entre os homens tendo Cristo como referência e exemplo e procurando a nossa perfeição no mistério da sua divindade - nunca esqueça, nem por um momento, que a miséria não está só onde habita a pobreza, e que a necessária transfiguração não residirá talvez numa certa indigência do aparato litúrgico, como o papa Francisco parece defender, mas no evidenciar da limpeza de, como poeticamente disse Sophia Melo Breyner, os "túmulos caiados onde repousa por baixo a podridão". E hoje, perante uma imparável insatisfação no que à amoralidade diz respeito, há que abrir caminhos de verdade em que as intenções se revelem na pureza que lhes atribuimos. Creio que a Igreja só beneficiará se se envolver criteriosamente, e o menos possível, com os meios de comunicação social, onde o dinheiro e as audiências que o alimentam deixam cair nódoas ou perfumes sobre  pessoas e instituições consoante as suas conveniências.

Que o Espirito Santo o ilumine, e acompanhe todos os que consigo decerto, implicita ou explicitamente, trabalharão em prol de uma comunidade católica que se quer ver singrar não apenas em quantidade mas na qualidade , e em que uma juventude emergente nos enche de esperança, apesar dos enormes desafios e solicitações, por vezes tão negativas, que uma implosão desenfreada dos "mídia" lhes faz chegar e que as circunstâncias sociais favorecem negativamente.

Hoje estamos todos de parabéns. Não só em Portugal como na comunidade lusofona e nos remotos lugares que o papa achou por bem distinguir. Que Deus ajude e o espírito cristão acompanhe este nosso mundo que finge ser laico... ao serviço de outras religiões!

A REDE

Vivemos numa espécia de sono em que o sonho alterna com o pesadelo e em que corremos o risco de não distinguir entre ambos, tal a confusão gerada pelas ilusões com que os envolvem e que inviabilizam qualquer esperança de conhecero grau de identidade - se algum... que poderão ter com a verdade.

Aquilo a que chamamos "mundo" mudou muito, há já bastante tempo e de forma subreptícia e acelerada.

A "realidade", tal como a aprendemos e na qual decorriam as nossas vidas é hoje uma virtualidade. Nada, ou muito pouco, daquilo em que nos fazem crer, é real no sentido em que nos habituámos a identificar a realidade com a verdade dos factos.

E isto não decorre apenas da perversidade dos actuais ou potenciais detentores dos vários poderes, mas mas do modo como eles se relacionam entre si, numa vastíssima sociedade secreta que abarca no seu mutante secretismo todas as até há pouco consideradas "sociedades secretas". De vez em quando atiram-nos com uma nova "sociedade secreta" - caso de Bilderbeg - divulgada pelos próprios para que haja  um osso democrático com que se entretenham os povos enquanto a Grande Sociedade Secreta Mundial trata de coisas sérias, das que nem os seus membros ainda têm perfeito conhecimento mas segundo as quais visam, com a multiplicação dos meios de que dispõem - e que, curiosamente, são os mesmos de que dispomos mas acérrimamente vigiados e controlados pelas mais diversas instâncias desse obscuro Poder - criar um mundo que os satisfaça a todos. Pretensão grandiosa e impossível que, muito provavelmente, terminará numa guerra em que se degladiem o real humano e as virtualidades da técnica.

É frequente quando alguém menciona um facto socialmente mais transcendente alguém dizer: "Este anda a ver muita televisão... E, contudo, muito do que nos chega nas séries da Fox e em vários documentários que, "et pour cause", só passam quando quem trabalha já se recolheu, descodificam muito dos processos que conduzem a factos "inexplicáveis" com que a comunicação social nos confronta diariamente e para os quais, segundo os nossos valores e imagem que guardamos de uma realidadee que já não o é, não encontramos explicação. Impotentes, lamentamos a proliferação desses factos e seguimos em frente sem nos apercebermos dessa nova realidade e da virtualidade que é viver numa sociedade há muito extinta.

A verdade é que a WEB não é apenas uma rede de pescar que alimenta a publicidade, mas uma rede de prender,de malhas cada vez mais fechadas, onde cada um de nós é, sem que disso se aperceba, um nó em linha com uma infinita e incontrolável infidade de ligações. Somos, sem nos darmos conta, os mensageiros de tudo o que, de melhor ou pior, os que tecem a rede nos deixam capturar. E fazêmo-lo sem certezas, Apenas com suspeitas, porque o mundo deixou de nos merecer confiança e já nos habituámos a viver com isso.

Sabemos que enquanto escrevemos alguém nos vai lendo, que as comunicações de voz são quase públicas e mesmo gravadas, sabemos, porque a verdadeira realidade assim o exige, que, para nossa segurança, vivemos sob aturada vigilância. A liberdade, tão valorizada e proclamada como valor primordial, reduz-se à liberdade de um Charlie.

Daí a saudável necessidade de, por  uma questão de consciência, nos alhearmos do que apenas existe porque nos dizem, dos que  afirmam fazer opinião, dos que, manhosamente,afirmam ser seu desejo dar-nos espaço para pensar (como eles, claro!), dos que se pavoneiam de gravata roxa ou de qualquer outra cor no intuito de irem criando a sua própria rede, rede que, ignoram eles, será apertada pelas fortes malhas das circunstâncias.

O que se passou agora na Grécia, seja qual for o desfecho, foi a tentativa de um Povo que descobriu as virtualidades da inteligência de provar que há quem creia que a realidade, por pior que seja, ainda é possível. Aquilo é verdade!

 Por cá congregar-se-ão linhas partidárias, ideais, movimentos, circulos, e os habituais topa-tudo que nunca desperdiçaram um contacto e que, subservientemente, se disporão a po-los ao serviço de todas as causas. Porque já não é de ideiologias que se trata, nem sequer de ideais. É de Poder que se trata e daquilo que o alimenta. É essa a motivação que faz emergir insuspeitas colónias de prestáveis servidores.

Não é de espantar que a Religião regresse ao papel que sempre teve na vida das comunidades humanas. A Religião é, em si, a essência do transcendente, do que não precisa ser explicado nem útil porque é inerente ao Homem, iniciático e alheio a todas as entropias que os séculos e o conhecimento acumulem.

Magoa ver atacar qualquer religião ainda que não seja a nossa. Mais magoa assistir à falta de empenho com que defendemos a nossa! Como se tudo se reduzisse à tolerância, ao acolhimento do inimigo, à prática programática - e tantas vezes duvidosa - do bem, a duas ou três das vinte e quatro horas  do dia a pedir ou a agradecer a Deus. Que se passa nas outras???  

LE MONDE EST EN TRAIN DE DEVENIR UNE MERDE!

O título vai em francês, a lingua de "Charlie", para dar um ar mais culto ao tema e, para cheirar menos mal, acrescente-se-lhe um perfume YSL. Infelizmente, nada disso poderá alterar a repelência contida nesta triste realidade!

Pus-me a pensar - penso muito (é de graça..), vejo notíciários e leio jornais e revistas de todos os países cuja Língua conheço - e, depois de muito meditar cheguei à conclusão que já não vale de todo a pena pensar em termos de "Mundo", "Humanidade", "Universo"e outros conceitos que na sua vastidão envolvem uma imensidão de subsistemas através dos quais chegam às nossas vidas e nos dão cabo do sistema nervoso. 

A verdade é que já não vale, de todo em todo, a pena termos a pretensão de mudar o mundo e nem sequer a de alterar o que  nos vêm querendo fazer crer - os que julgam que mandam,  apesar de também eles estarem enganados...- que depende de nós. Já nada  depende de nós, seja qual for o "nós", há que tempos| A única coisa que podemos e devemos fazer é abstermos-nos de tudo aquilo que, em termos de justicações estatísticas, sirva para apoiar as breves e arriscadas ilusões de poder com que brincam alguns indivíduos e as cadeias de subserviência e ausência de escrupúlos que os apoiam.

Aquilo em que pensamos quando falamos de "mundo" está fora de todo e qualquer controlo, e aquilo a que assistimos é à busca feroz e incessante em que povos, raças, tribos, classes e instituições se empenham para encontrarem os seus caminhos e demarcarem as suas áreas.

Daí que a tão amada palavra "democracia" - um conceito que inocentemente os gregos inventaram e onde tem cabido tudo o que a contemporaneidade lhe tem querido meter dentro - comece a perder terreno em favor do "delivering", conceito mais inclusivo mas incomparavelmente mais difícil de promover em qualquer das suas várias vertentes. Resumindo: a globalização no seu melhor,  propondo-se como solução a um mundo onde tudo caminha em sentido contrário, em que as convicções de pertença estão cada vez mais presentes e arreigadas. Não vai dar! Ainda que seja a ONU a vendê-lo! Não vale minimamente a pena levar isto mais a sério do que às comissões de inquérito com que por cá a oposição entretem o tempo.

Outra coisa de que é urgente abstermo-nos é de tudo o que for feito para "as massas": programas de Tv, festivais, concursos, "futebóis", telenovelas, etc.. Tudo isso visa criar-nos preocupações fictícias que nos impeçam de pensar em temas que, se pensados, tornariam turbulentas "as massas" - reacção altamente improvável em povos de brandos costumes - e nos mantêm entretidos enquanto "eles" (sejam quem forem "eles"e pelo tempo que forem) se entretêm com o exaustivo jogo de nos enganarem a nós, se enganarem uns aos outros, enganarem-se a eles próprios.

No meio de tudo isto começa a ser importante ter em conta a "inteligência artificial" que, não sendo propriamente uma novidade - já se trabalhava nisso na Alemanha dos anos trinta e já está presente há muito em diversos utensílios mais ou menos sofisticados do nosso quotidiano, embora sem tão científico título - começa a assumir tarefas bastante mais "invasivas" nas nossas vidas, na medida em que pode ser utilizada por qualquer estúpido a quem sejam fornecidas instruções comportamentais que ponham a máquina a agir como gente.

O tema, que tem vindo a ser tratado com alguma preocupação em vários media, comporta riscos vários para populações indefesas e desconhecedoras dessa possibilidade. É o caso do acompanhamento de pessoas sós, doentes, idosos, pessoas de todas as idades com grande necessidade de interrelação, como os quase obsessívos frequentadores da web. Respostas psicologicamente estudadas para os diversos perfis e necessidades poderão ser automatisadas e, para o bem ou para o mal, viajarem pelo espaço sem que seja possível atribui-lhes uma responsabilidade pessoal. Estudado, ou escolhido, um determinado perfil é possível ganhar a confiança dessas pessoas através das respostas adequadas aos seus desejos ou preferências. Isto, parecendo não ter grande importância, pode ser altamente nocivo, inclusivamente no que respeita comportamentos sexuais com menores - é tão possível ser pedófilo através da net como em contactos físicos... - já que do discurso erótico ao discurso sexual vai uma ténue distância que as pulsões se encarregam de eliminar. Acresce que a coisa funciona, ainda que independentemente da imagem real, que ganha contornos ideais na imaginação do outro. Um moço atarracado, com o estomago a cair-lhe por cima do cinto ou uma rapariga despida do comum dos atractivos, podem ser jovens esbeltos e dotados de toda a espécie de atractivos para quem com eles se envolve numa relação que só é virtual devido à ausência sensorial, mas com uma intimidade que se solidifica e aprofunda, com todos os riscos que a habituação comporta. Abstenhamos-nos de amizades e "likes" com desconhecidos nas redes sociais.

Mais complicado, ou não menos perigoso, é o desenvolvimento celular da robótica que, teme-se, poderá acabar trabalhando contra os homens...como, aliás, tantas outras invenções subsidiadas pelos que têm capacidade financeira para o fazer e esperam por essa via dominar o mundo.

Aos drones, e às balas inteligentes que matam os homens mas poupam os edifícios, seguir-se-ão soldados/robot e outros do género que um dia darão aso a que se possa ser assassinado por um robot não identificado que não deixa impressões digitais nem sinais da íris, nem qualquer humano vestígio.

Posto isto creio que o que devemos fazer é vivermos como nos acostumámos a viver quando as nossas únicas ocupações eram a nossa vida e a dos nossos, quando a solidariedade se chamava caridade e ninguém fazia dela modo de vida, orientados pelas regras do Direito Consuetodinário, ouvindo as "nossas" músicas, sejam elas quais forem, mantendo os nossos hábitos de vida, especialmente os que não custam dinheiro, selecionando relações antigas, evitando confundir conhecimentos com amizades, e evitando até ao limite do possível a dependência das instituições, fontes de desorientação e descrença.

A privacidade - ao contrário do que se apregoa por razões de marketing comercial - é hoje o maior dos luxos! 

Não alimentemos mais ilusões sobre o mundo apregoado nos desejos, intenções e conselhos dos internautas! Nada daquilo existe, ou existe apenas como raridade. As pessoas que os enviam podem até acreditar neles mas está à vista que apenas uma infíma minoria os praticará.

A verdade é que os mais velhos não aprenderam nada com a História e os mais jovens podem até saber muito de informática e serem experts nas suas profissões mas desconhecem-na, porque a História vende mal e não gera lucros.

Num mundo assim só nos resta retirarmo-nos! E fazê-lo honrando a Vida, permanecendo no pleno gozo de tudo o que ela nos proporciona apesar da intervenção multiplicadamente negativa dos homens.

   

NÃO ENVELHEÇAS! SÊ ANTES FELIZ!

Apesar de haver muita gente doente ou à procura de doenças, o certo é que os médicos, especialmente os que apontavam para determinados alvos sociais, não estão em fase de muita procura. As pessoas estão a começar a ir ao médico quando estão de facto doentes - geralmente quando estamos doentes, por muito distraídos que sejamos, damos por isso...-  ´porque a complexidade da vida pouco espaço lhes deixa para se entregarem a banais doenças e, ainda menos, para ver se descobrem alguma. Só os velhos, curiosamente, têm esse amor à vida. Os outros, os de meia-idade, já só se dispõem a fazer "check up" quando muito instados ou, também acontece, quando pensam residir no corpo o mal que lhes afecta a alma ou encontrar aí um desvio para as suas preocupações existenciais.

O facto tem levado a que certos médicos do tipo  "faishonable" - os que procuram criteriosamente os seus nichos de mercado - se vejam por vezes obrigados a um oportuno "upgrade".

Vem isto a propósito de um médico convidado - não sabemos se a pedido do próprio se do apresentador...- para dar a conhecer as suas descobertas no campo do envelhecimento, em um daqueles programas populares com que as televisões preenchem o tempo dos que o têm. calhou-me te-lo e divertir-me a vê-lo.

O médico, sujeito bem apessoado, bem falante e portador de um nome reconhecível entre a "boa sociedade", trazia com ele um Zézé, já por demais conhecido nem sempre pelas melhores razões, que se dispôs, em prol do marketing, a exibir fotograficamente, em boxers, a sua triste figura antes de se ter deparado com a competência do miraculoso médico, e uma segunda na qual tinha, ao que deixou no ar, perdido, além do peso de massa corporal, o peso dos anos.  E tudo graças ao doutor que, após ter explicado os motivos que o tinham levado a deixar a área das drogas  por ter concluído, ao fim de vários anos de proveitosa clínica, aquilo que qualquer inspector da Polícia com esse sector a cargo já lhe teria dito há muito, ou seja, que o combate à droga passa pelo combate à rede de produtores, traficantes e consumidores. Desgraçadamente as próprias famílias também terão chegado há muito a essa conclusão e percebido que, por mais doloroso, é mais fácil aprender a conviver com o facto do que desgastar-se na cura de situações maioritariamente irreversíveis.

Inteligentemente, o doutor abraçou o mercado onde se situa a clientela mais numerosa, predisposta, e com mais meios  financeiros para tentar o sucesso - o que não acontecia com os drogados  que constituiam uma terrível sobrecarga familiar de despesas que se adicionavam aos expedientes das exigência do consumo - , ou seja: O ENVELHECIMENTO.

Um regalo ouvi-lo, porque o doutor não descurou nenhuma das vertentes afectadas nem o perfume  da sedução no que propunha, com grande simplicidade, para as conter.

O retardar do envelhecimento vai, segundo ele, desde o controlo do peso - aqui nada de novo porque este parece ser hoje um dos flagelos sociais que afecta mais a sociedade que os próprios, alguns com experiência de antepassados obesos que terão "falecido" proximo dos cem anos - , controlo conseguido com espantosa rapidez, a avaliar pelo ZéZé junto, mas também por um desejável emagrecimento da consciência, "objecto" que, segundo um franciscano meu amigo, não deveria existir. O doutor também propunha isso: deitar o passado para trás das costas deixando lá ficar tudo o que pudesse perturbar a consciência - creio ser isso o que os políticos, auxiliados pelos juristas,já aprederam há muito a fazer sem precisarem de recorrer ao médico - , iniciar um presente limpo de post-ocupações, um presente feliz virado para um futuro cuja principal preocupação fosse concentrarmos- nos numa motivação que nos faça felizes. Enfim, ter a FELICIDADE como lema, caminho e meta.O hedonismo como modo de vida, numa época em que a felicidade se mostra tão exigente, e com receituário privado.

É óbvio que, num tempo em que a felicidade - a felicidade a sério e não alienações em compatibilidade com a bolsa ou com a amoralidade  - se ausenta com bastante frequência da vida das pessoas e das comunidades, o apelo é extremamente atractivo! E o segredo, se tal se pode dizer, reside no ESQUECIMENTO!

"Varridela" para os que praticam o mal com o gozo que lhes dá poder praticá-lo, se possível mascarado de bem; "conselho" para que os que são dele vitimas esquecerem tudo o que lhes aturaram, a destruição das suas, horas, das suas vidas, dos seus países, dos seus valores, dos fundamentos da sua fé no mundo, etc.. 

EMAGRECER E ESQUECER! Eis um remédio simples e, tendo em vista o Zézé, de resultados garantidos. 

Corremos o risco de voltar a engordar - Christina Onassis, com todos os seus milhões, foi um harmónio...-  ou de à hora da morte, como parece ter acontecido com empedernidos ateus, termos um rebate de consciência, com a dúvida pendente entre o perdão e o castigo. Mas nessa altura quem se lembrará daquele médico?  

A CULTURA DO FEIO

Tudo aponta para que estejamos a assistir ao fim de uma Civilização que foi conformando o mundo à sua imagem e o foi liderando segundo os seus conceitos por mais de dois mil anos. Á requintada e socialmente organizada civilização do Mediterrâneo, seguiu-se a  civilização atlântica, mais mercantilista e vocacionada para a supremacia do ter sobre o ser na consolidação do Poder.

A grande dispersão que se seguiu, ora atropelando, ora absorvendo a grande maioria das culturas por onde passou, teve também o reverso: vestiram-se povos autóctones enquanto que os colonizadores se iam despindo cada vez mais, artistas como Picasso encontraram inspiração estética em raízes africanos, e muitos outros factos será sempre possível mencionar, pese embora a relutância com que a actual "civilização ocidental" - ela também reduzida já a um mero conceito -  aceite a origem desses fenómenos.

No campo da Estética a Civilização Ocidental foi grande devedora da harmónica e insuperável divina proporção da estética grega. A verdade é que os gregos tinham a seu favor, para além de uma organização social que favorecia o lazer e, consequentemente, o puro pensar - sem outro objectivo que não fosse o pensar-se e interrogar-se sobre o pensado -, beneficiava de condições geográficas em que a Natureza se apresentava no mais belo e requintado estado de pureza. A leveza do céu, de onde emerge uma luz branca que proporciona doces variações tonais, a transparência dos mares, a quietude das ilhas, a beleza consciente que inspirava a vida das suas gentes, tudo concorria para que fosse possível a invenção de um Olimpo povoado de deuses com características humanas , quer amistosas quer guerreantes, que a sua condição de divindades avolumava. Mas em tudo imperava o culto do Belo e a razão da sua origem e aceitação. 

Foi essa a estética que orientou as nossas artes pláticas e, porque a visão é talvez o mais imediato dos sentidos, marcou as nossos gostos. Levámos séculos - por que não dizer: milénios - a "curtir" a beleza nos moldes em que tinha vindo a ser transmitida e usada , quer na concepção física do divino, quer na nobreza que aportava a descrições, estátuas e bustos dos heróis na diversidade dos seus campos.

O abandono do culto do Belo -tal como o reconhecemos e adoptámos, inclusivamente na Moral ,onde o Bom e o Belo se confundiam (não era concebível aceitar como belo um acto imoral ou amoral, associando-se desde logo o Mal à fealdade das bruxas e a beleza à serena bondade das fadas)  - tem, dentro do abandono e rejeição do contexto civilizacional do Ocidente, tido conseguido um percurso rápido. De repente o Belo, que começara a identificar com o "luxo" devido a uma opção quase exclusiva das élites, ultrapassou a decadência que enfermou todas as outras áreas de culto da sociedade dita ocidental. E, o que até então tinha sido considerado feio, passou a ser visto como uma discutível opção, que tanto poderia ter como conteúdo esse como o seu contrário. E, assim, chegámos onde chegámos!

Hoje, vendo o anúncio de um livralheco de banda desenhada - que, ao que parece, ainda que em versões mais saudáveis, entrou tristemente em moda e há que não perder a "onda"...- concluí que o mau-gosto deixara de ser apenas uma fatalidade e se propunha começar a fazer escola. O "album" - anunciado! - irá reproduzir-se e tratar o tema que lhe serve de título: "Um casal vulgar". E, creiam, é de vulgaridade que se trata! A capa - da autoria de um "gólfista"desenhador- apresenta o casal. Uma mulher avarinada, sem idade, de cabelo no ar e seios pendendo sobre onde se supõe seria a cintura, fugindo de um homenzinho entradote, atarracado, com um olhar espantado por detrás de grossas lentes, calças em saca-rolhas e o ar de quem ia saltar para cima da mulher que o mirava em fuga e violá-la...caso ela quisesse.

Apresentar assim um casal, por mais vulgar - subentendendo que a intenção é falar de um casal tipo - inclina-nos mais para um "casal ordinário" (será que o título foi escolhido em francês?) do que para ideia que temos de um casal normal, por mais simples e provinciano que o pensemos. Tudo ali é feio! Pode ser que na página dez, Deus se tenha compadecido deles - e dos leitores - e lhes um bebé bonito como o são todos os bebés, que se fosse vida real, teria que arcar pela vida fora com aquelas inóspitas criaturas. 

Isto, porém, é um fait divers. Ninguém é obrigado a comprar o album e poderá sempre deitá-lo fora ou usá-lo parcialmente para outros fins. O problema é que o "estilo" rompe barreiras onde a solidez do Bom/Belo se fragiliza. Temos hoje uma geração como talvez nunca tenhamos tido: jovens altos, escorreitos, conservando os traços de famílias bonitas de onde vieram, de  uma agradável politesse, alinhando na vulgaridade apenas quando não desejam passar despercebidos. Distinguem-se mesmo em farrapos porque até os farrabos neles são bonitos. Mas temos também, num crescendo, um prazer da extravagância que choca mas que cabe na regra de ouro deles em que "o que importa é ser feliz". O desmazelo, que aliás sempre foi atributo das famílias feias, como que querendo acrescentar algo que mostrasse que eram assim por opção e não por fatalidade, tornou-se um complemento de vida que por vezes se confunde erradamente com a falta de asseio.

É certo que nem todos os homens podem ter metro e meio de pernas, mãos musculadas, narizes aquilinos, e uns belos olhos resplandecentes, tal como nem todas as mulheres podem ter figuras esguias, belas cabeleiras, ollhos bonitos, pele de pessego, e um andar flutuante. Cada um é como é em cada uma das fases da vida. Mas fazer o elogio do feio, celebrá-lo, como se uma mulher  desaustinada e um homenzinho de perna curta, narizinho de boneco, mãos de donzela e olhos piscos fossem uma maioria de tal modo que nem se desse por que eram assim, será demais.

Num mundo em que tudo é feio, desde o modo de estar e se exibir, até ao baixo calão - a procolália invasora - passando pelo insuportável elogio em causa própria, como se cada um de nós fosse seguidor/praticante de Kant e desejasse que todos nos comportássemos como eles, vai uma cada vez menor distância. E isso, juntamente com a estranha lição de liberdade que pôs a "europa" em alvoroço e serviu de banquete a uma comunicação social que vai levar tempo a mastigá-la, a menos que outros actos libertadores se imponham, e que repete ad infinitum os acontecimentos, com a banalização do sagrado, com o desprezo pela privacidade, com um oportunismo sem pátria nem dono, com uma ânsia de poder que visa apenas o bem de alguns em "off" e lamentando em "on" a situação dos que não podem e não têm, não nos conduzirá - como às vezes possa parecer - a uma nova versão da Idade Média. Porque temos um tronco sólido a que falta uma cabeça.

A verdadeira beleza, inspirada como sempre na beleza da Criação, surge agora na retoma das culturas africanas, com as suas belas mulheres e homens atléticos, que se dispões a revitalizar as suas tradições. O interesse pelo que deixámos vai-se perdendo. Quanto às grandes civilizações orientais com quem traficamos, fazendo embora a cortesia demostrar um agrado, não descuram, bem o sabemos as suastradições e padões de beleza que pasam pelos jardins e por coisas aparentemente tão insignificantes como o momento do chá. São SIM! 

A CEGONHA

Sábia nos seus objectivos a Natureza tratou de que fazer um filho fosse, em situações consentidas, um momento de prazer e que os intervenientes no processo não soubessem que estavam a fazer uma criança embora conscientes de que do acto tal poderia resultar.

Até há algumas décadas a esta parte - antes da descoberta das diversas pílulas, dos perservativos, dos laqueamentos de trompas, dos vários dispositivos que perservam a mulher em relação a uma gravidez indesejada e de muitas outras coisas que desconheço - as mulheres, embora fosse possível que uma virgem de trinta anos soubesse menos sobre o facto do que hoje uma garota de sete anos , sabiam que de uma ligação fisicamente intíma com um homem poderia resultar uma gravidez.

Com os homens a coisa era diferente. O assunto era delas. A Natureza se encarregara de lhes por no ventre por nove meses e vários incómodos um pequenino habitante que um dia, sabiam lá elas, tanto poderia vir a ser um triste como um grande homem. E, diga-se, o nascimento da criança estava longe, por melhor que corresse, do momento grandioso que lhe dera origem

Conheci, e conheço, várias mulheres que, umas de bom grado e sem o menor desejo ou necessidade de partilhar o filho, outras com muita revolta e sacrifício, se assumiram como mães solteiras e nem quiseram que eles perfilhassem as crianças. Dantes era um estigma, hoje, felizmente, já não é,

 Com as criadas isso, em certas casas, era frequentíssimo. "Elas" eram um lugar limpo para os meninos iniciarem a sua actividade sexual e, se a coisa corresse mal e "ela" engravidasse de duas uma: ou lhe arranjavam um marido a quem arranjavam emprego para que casasse e perfilhasse a criança como sendo dele ou, muito simplesmente mandavam a rapariga embora acusando-a de estar a criar uma situação desagradável por puro oportunismo.

Claro que tudo isto se passava quando não havia televisão, e os bebés chegavam de Paris no bico de uma cegonha já de fralda posta e chucha na boca. Hoje todas as crianças sabem tudo desde a mais tenra infância e se os pais não as industriarem o Estado encarrega-se de o fazer. Não há hoje, creio, ninguém, homem ou mulher com mais de dez anos, que não conheça as potenciais consequências de um acto sexual. O que pode faltar, isso sim, é a educação deles ir no sentido de explicitar os sarilhos que podem resultar dessa displescência.

Vem isto a propósito de dois casos em que devido a impulsos momentaneos se desfizeram dois casamentos felizes. Um que já levava quase quarenta anos de matrimónio e vários filhos e netos, outro o de um jovem casal com poucos meses de casados e estando a esposa com oito meses de gravidez e todos, pais, avós, e irmãos, felicissimos naquela espera.

Eis senão quando, em ambos os casos - no primeiro uma secretária que há mais de dez anos, ao que consta, consolava o senhor ao sábado, dia em que a mulher ficava com os netos e ele ficava livre para ir "para a Versailles ler os jornais, encontrar-se com os amigos e almoçar por lá ou em sítio sugerido por algum dos comparsas de tertúlia", a outra que, também ao que consta, mal soube que ele ia casar nos próximos meses - rapaz muito respeitador da noiva que, por sua vez, jamais conhecera qualquer atrevimento da parte dele- começou a chegar-se muito a ele e, numa noite de vela na clínica em que trabalhavam, ZUCA!, apanhou-o decerto sem grande dificuldade (noite, homem apaixonado - mesmo não sendo por ela...- e o corpos ali, sem quem lhes acudisse, nem sequer uma urgência...). Em ambos os casos as "piquenas" ficaram grávidas e, em ambos os casos os homens ficaram aterrados sem saber como desfazer o que tinham feito e que elas, graças a Deus, se recusavam a desfazer. Depois de muitas discussões, no segundo caso envolvendo os pais da jovem profissional que terão visto no caso mais uma oportunidade do que um acidente previsivel, surgiu a ameaça do fatal teste de ADN. Ambos os homens recusaram mas a verdade é que o consentimento deles não era sequer necessário. Ambas estavam dispostas a ir em frente. E foram! E ambos os casamentos terminaram ali, um transformado em escandalo familiar, outro culminando numa tremenda desilusão e, com o apoio dos pais da jovem noiva e recente mãe, disposta a não querer por-lhe mais os olhos em cima e a criar sozinha a criança.

Justa sentença, diremos, para os homens aprenderem que não podem andar para aí, desleixados e precipitadamente, sem se informarem primeiro - caso elas queiram dizer a verdade... - se elas estão protegidas ou de se protegerem eles. Contudo...

...há que ver o outro lado da coisa. Na melhor das hipóteses nenhum deles entra no jogo com a preocupação de que pode ter um filho! Quanto aos homens é mesmo uma certeza! Ambas sabiam que eles eram comprometidos.Um já avô, o outro a dois passos do casamento no fim de uma namoro de dois anos. É dificil pensar aquilo que talvez - quem sabe...- elas tenham pensado. Para uma o filho é uma reforma melhorada e a companhia garantida, para a outra era uma maneira de caçar um jovem clínico especializado numa universidade dos Estados Unidos e filho de gente bem e com bens. 

Foram dois natais estragados para várias pessoas e ambos. embora perfilhando as crianças e terem que ficar - legitimamente porque as crianças não tinham tido culpa de terem sido feitas assim "á vol d'oiseau" - a pagar pensão para o sustento e educação das crianças.

Tudo justíssimo! Mas ocorre-me perguntar: não terão os homens também razão para se queixarem de os terem feito pais sem primeiro se informarem se eles queriam correr esse risco? A solidariedade do acto só existe durante a execução do mesmo? Porque se podemos no mínimo dizer que, pelo menos no caso do jovem médico, eles foram imprudentes porque sabiam que tal podia acontecer, que dizer delas? Será que ainda acreditavam na cegonha? E, provavelmente, no Pai Natal...

Que estas coisas se passem com homens livres que apenas evitam responsabilidades pessoais admite-se.  Mas que se estraguem famílias, sem dó nem piedade, porque as tais "mulheres libertas" se esqueceram de avisar que não tinham tomado a pilula naquele dia ou que nunca a tinham tomado, é pura maldade. Para o homem, que acaba sendo um "anjinho" vestido de diabo, para as famílias, e até para as crianças que já nascem com uma complicada história a precedê-las. 

A DESCIDA

Tentei hoje pela última vez entrar no facebook. Um disparate! Aquilo nunca me interessei nada por entrar lá e apenas o fiz porque, no negócio dos livros, alguém me sugeriu que fosse lá lê-lo. O "livro" era como tudo o que por lá se piblica mas eu viciei-me naqueles dálogos...que o não são. Com duas amigas ao lado, na Gulbenkian, depressa concluí que aquilo servia interesses que não eram os meus e que a maioria daquela gente não era a que eu respeitava. Tive inúmeras maçadas porque não sou do género de desistir e, mesmo por coisas que não valem nada - é bem mais interessante mandar um artigo bem fundamentado para um jornal onde tenhamos amigos ou enviar mensagens através deles do que perder um tempão ali quando há tanta coisa, bem mais criativa que negócios e voo de pássaros a fazer...- empenho-me sempre em ir até às últimas consequências. Só que, mesmo quando não respeito as pessoas tenho o maior respeito pelas instituições e pelas pessoas - não "gente" - que as servem ou representam.  Agora desisto mesmo, embora, até ver, ande por aqui.

A verdade é que as pessoas quando começam a descida moral, especialmente quando a caminho dos setenta, degradam-se. Nada mais ridiculo que um velho armado em Pigmaleão - que era um gentleman rico e elegante - a dar-se de jovem empreendedor! Até porque os pássaros têm tendência a poisar nas armações, mesmo nas dos veados. Acontece às vezes que quando acabam o trabalho cívico o aluno/a já está mais do que farto e eles mais do que velhos. O tempo passa depressa e se não procuramos perservar a imagem digna que um dia tivemos, ainda que tenhamos casado e baptizado todos os pretendentes a todas as coisas- bem aflitos que devem estar com a "honra"...- a nova sociedade onde vamos pedir a esmola de respeito nunca nos trará de volta o que perdemos e, mais depressa do que  os outros nos esquecem, cansar-seá de nós. Vale a pena pensar nisto...

A MORTE do "petit prince"

Maneira triste de começar uma nova série de blogs em começo de ano! A verdade porém é que não podia deixar passar em brancas núvens o fim do que foi durante mais de sete anos o meu blog no SAPO.

Obviamente que o "petitprince" não morreu! Aconteceu ter sido engolido por um qualquer homúnculo desprezivel que o vomita a toda a hora. Só hoje, dia 2 de Janeiro, já lá botou quase uma dúzia de textos - encimado um deles por uma belíssima fotografia de D. Manuel Clemente com o seu riso são e aberto  - de onde se depreende que seja alguém que, para além de louco não identificado pelos serviços, não tenha nada com que se entreter para além de por o passarinho a voar... caso ele voe!  E tem sido assim diariamente, usando a minha chave de ingresso e, consquentemente, impedindo-me de entrar no espaço que me roubou. Meu pobre e querido Principezinho!

Porém, não sei porque motivo, sou "compensada" com dois corações quer na entrada dos Blogs quer na entrada do meu post. Saloices! E sobre este enxovalhado assunto nada mais direi, mais que não seja para não prejudicar o ganha-pão do infeliz hacker.

Este meu novo blog destina-se especialmente à divulgação de textos que, sendo de tempos passados, alguns bem remotos, são de uma tal actualidade que nos levam a concluir que os homens são, na sua diversidade sempre os mesmos e que reagem socialmente de modos idênticos, embora interiorizando o "clima" social da época.

Como o adorável Petit Prince não encontraremos outro. Partiu para o seu planeta com a sabedoria que só nos é proporcionada quando sem sobressaltos olhamos com amor a Natureza e o que de mais simples ela tem. 

FELIZ ANO, com a energia da acção e a inteligência da escolha! 

 

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